Eduardo Costa

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Benditas câmeras de celular

20/07/2020 às 07:50

Assistia filme sobre a luta de um homem contra o racismo no Sul dos Estados Unidos do século 19 com minha filha caçula que, a certa altura, indignada, desabafou: “Só queria saber como começou isso, quer dizer, quando foi que alguém decretou ou decidiu que a cor da pele faz a pessoa mais ou menos importante”. Fiquei sem resposta. Fui dormir.

De manhã, ao conferir um site de notícias, duas das principais manchetes eram sobre o sucesso da cantora Tereza Cristina e a volta da NBA. As frases que ilustravam as reportagens eram “ninguém tolerava menina preta tirar nota boa na escola”, referindo-se à cantora e a lembrança de que um vândalo racista já invadiu a casa do maior astro da famosa liga de basquete norte-americana e defecou na cama dele.

Lembrei-me da inquietação de minha filha e fiquei alguns minutos tentando assimilar por que tem de ser assim, alguém sempre fazendo questão de espezinhar o outro. Por ódio ou doença, sei lá. Lembrei-me então do Pelé, saudoso colega de manhãs na Record que costumava dizer ao estimado Luisão: “Deus deu uma vida pra cada um, pra que cada um cuide da sua”. Mas, as pessoas querem um mundo só para elas e, de preferência, que os outros façam o que mandarem, estejam a seu serviço, silenciosas e obedientes. Será por causa disso que mais e mais pessoas querem ter cães e gatos no lugar de filhos?

Ai, inevitável lembrar do desembargador Eduardo Siqueira e seu grotesco espetáculo de Brasil real, no qual quem tem um pouco mais de dinheiro na conta ou diploma na parede se julga superior e no direito de humilhar os outros. Descumpriu um decreto municipal da Prefeitura de Santos, rasgou a multa, jogou os pedaços no chão, humilhou o guarda, ligou para o chefe dele e, depois, em nota, ainda ameaçou responsabilizar os que o fizeram “cair numa armadilha”. Ele ainda acha que é vítima. É claro que não vai ter punição nenhuma. É claro que o guarda está machucado para sempre, aliás, a filha dele chorou vendo o vídeo.

Deus é tão bom que, sabedor do quanto ainda estamos longe de um país mais justo, mais humano e decente, nos deu as câmeras de celular, através das quais arrogantes como o desembargador são flagrados em seu delírio de prepotência. E, aí, não adianta negar, a vergonha é garantida!

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