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Banalização da homenagem

Banalização da homenagem

06/05/2013 às 02:13

O assunto está vencido e, embora um mundão de gente tenha pedido que falasse, era minha intenção evitar comentários sobre o título de cidadão honorário de Belo Horizonte para o Ronaldinho Gaúcho. Ocorre que o leitor Jovenil Soares da Silva teve o trabalho de escrever para o Hoje em Dia pedindo minha opinião e, como não sou de ficar em cima do muro, vamos lá. De todas as homenagens que uma cidade pode prestar a alguém sem dúvida a maior é a que diz, por seus representantes, que o cidadão passa a ser considerado filho da terra. O diploma representa um reconhecimento da comunidade e aumenta a responsabilidade do destinatário. Pelo menos devia ser assim. Não considero que o autor da proposta tenha cometido uma falta grave, digna de repúdio de toda a sociedade – na verdade ele é dos parlamentares mais sérios na capital e foi um dos primeiros a se insurgirem contra aquele aumento maluco de salários que queriam aprovar. Agora, ele pecou pela empolgação. Tanto que, no discurso de entrega, disse ter chorado quando viu o R-49 com a camisa do Galo. A paixão é perigosa, se não administrada, e Daniel Nepomuceno é vice-presidente do Atlético. Há, ainda, os que defendem tal honraria, considerando que o craque contribui para a alegria da metade alvinegra de Beagá. Além de tudo, Ronaldinho foi eleito o melhor do mundo na sua profissão; logo, tê-lo entre nós deve ser motivo de orgulho. Apesar de todas as atenuantes, a pressa com que homenageamos o jogador de futebol é incômoda sim. Ele chegou outro dia, cercado de luxo, segurança e carinho, para ganhar um belíssimo salário de 400 mil reais e exercer sua profissão. Há muita gente mais merecedora que ele. Quantos nascidos no Norte, no  Jequitinhonha e em todas as Minas têm contribuído com o crescimento da cidade e não são lembrados? Brasileiros, de todos os sotaques... E os estrangeiros, especialmente padres e outros religiosos, que vieram da Holanda, da Itália e do resto do mundo para um trabalho incansável de socorro aos pobres? Os vereadores de Belo Horizonte e de todos os municípios deveriam acabar com o ritual de simplesmente aprovar o que os colegas propõem (esperando a reciprocidade quando de suas indicações) e discutir mais, para não banalizar as homenagens... O problema é que, muitas vezes, o político é tiete e homenageia em nosso nome. Finalmente, recado aos que não gostaram: quem se der ao trabalho de ver a relação dos que já foram agraciados vai ver coisa muito pior...

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