Eduardo Costa

Coluna do Eduardo Costa

Veja todas as colunas

Mais Notícias

Bakunin, a bola da vez!

Repercussão nacional quem ganhou foi a professora Camila Jourdan que, ao responder à acusação de promover protestos violentos no Rio, disse que a polícia era tão incompetente que estava atrás de um russo que já morreu há mais de 100 anos.

01/08/2014 às 11:07
Bakunin, a bola da vez!

É de assustar o quanto tergiversamos no Brasil. De repente, do nada a gente deixa o que é essencial de lado para tratar da perfumaria. Dos líderes políticos aos técnicos de futebol, o que importa é se safar e, se for preciso, que se mude o rumo da prosa para, no mínimo, ganhar tempo e arranjar uma boa explicação. Nesta semana, vi dois exemplos de arrepiar. O primeiro, no interior de Minas: um policial matou o amante de sua esposa e, quando o apresentou na delegacia, o advogado disse estar tranquilo porque o cliente tem atenuantes no Código Penal, como “legítima defesa”. Ora, essa só não é pior que o projeto de lei que quer criar uma nova profissão para formados em Direito que não conseguirem passar na prova da OAB. Mas, repercussão nacional quem ganhou foi a professora Camila Jourdan que, ao responder à acusação de promover protestos violentos no Rio, disse que a polícia era tão incompetente que estava atrás de um russo que já morreu há mais de 100 anos. É que o nome de Mikahil Bakunin foi citado por líderes das manifestações em conversa gravada pela polícia e estaria no inquérito, como suspeito.
 
A polícia já negou, mas o assunto rendeu tanto que fui reler algumas coisas sobre Bakunin. Quero dividir com os amigos, pois, afinal, ele era um anarquista e isto, hoje, no mundo, suscita reflexões. Ele nasceu em 1814 e, ainda jovem, desertou do exército russo, perambulou por Moscou e Berlim, aprofundou-se na filosofia alemã e no pensamento hegeliano, começou a escrever material revolucionário e, então, na metade do século XIX, foi preso. Daí em diante, dedicou-se a atividades revolucionárias e por elas lutou até o fim da vida, em 1876, na Suiça. E morreu convencido de que o homem privilegiado tem o intelecto e o coração corrompidos, tende a liderar instituições estatais, as torna corruptas e as massas se tornam escravizadas; assim, para sermos livres e plenos toda autoridade deve ser rejeitada. Até a divina. Dizia ele: “A ideia de Deus implica abrirmos mão da razão e da justiça humana”.

Talvez por ser um dos teóricos do anarquismo Bakunin esteja na moda no Brasil, embora alguns estudiosos lembrem que a ideologia não é sinônimo de baderna, desorganização e destruição, mas sim uma doutrina de esquerda, socialista, essencial na história das lutas sociais dos últimos 150 anos. Uma coisa ninguém pode negar: o homem previa o que poderia acontecer em países latinos no começo do século XXI. Veja só uma de suas reflexões:

“Assim, para qualquer ângulo que se esteja situado para considerar esta questão, chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Essa minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, os antigos operários, mas que, com certeza, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo cessarão dê ser operários e por-se-ão a observar o mundo de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas, a si mesmo e a suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso não conhece a natureza humana”.


Escreva seu comentário

Preencha seus dados

ou

    #ItatiaiaNasRedes

    RadioItatiaia

    Enquanto o grupo ganha cerca de US$ 15 mil por minuto, mais de 163 milhões de pessoas estão na faixa da pobreza

    Acessar Link

    RadioItatiaia

    CONTEÚDO PUBLICITÁRIO O endividamento das famílias aumentou e um dos principais motivos é a utilização do recurso que cobra um dos juros mais altos do mercado. Os juros do ro...

    Acessar Link