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Até coqueluche?

No último texto aqui publicado, falava da tristeza de constatar que doenças antigas estão de volta e até o nosso calendário vacinal, cartão de visita...

No último texto aqui publicado, falava da tristeza de constatar que doenças antigas estão de volta e até o nosso calendário vacinal, cartão de visita das políticas públicas brasileiras, agora corre risco, com estoques insuficientes nos postos. Vejam que o jornal da respeitada Associação Americana de Medicina acaba de publicar importante estudo sobre a importância da vacinação para a tosse convulsiva, também conhecida como coqueluche, na infância, sob pena de se aumentar o risco de epilepsia. E não se trata de “achômetro” ou conversa de “especialistas” que mais e mais dominam o noticiário. Para realizar o estudo, pesquisadores dinamarqueses usaram os registros governamentais e analisaram dados de 4.700 crianças, nascidas entre 1978 e 2011, que foram diagnosticadas com coqueluche. Cerca de metade foi diagnosticada com a doença quando tinham menos de 6 meses de idade. Cada criança foi comparada com 10 indivíduos controle saudáveis da população em geral.

Entre as 4.700 crianças que tiveram coqueluche, 1,7% desenvolveu, mais tarde, epilepsia, em comparação com 0,9% entre os 47.000 controles. Após o ajuste para idade gestacional, malformações congênitas, história materna de epilepsia e outras variáveis de saúde, os pesquisadores calcularam o risco da criança que teve coqueluche desenvolver epilepsia aos 10 anos de idade e descobriram que era 70% mais elevado do que o de uma criança que não teve a doença. Os pesquisadores destacam que eles não podem afirmar que se uma criança desenvolveu epilepsia, a causa foi a coqueluche, provocada pela infecção causada pela bactéria Bordetella pertussis. E em qualquer caso, o risco absoluto para a epilepsia é muito pequeno para crianças, cerca de 2 em 100.

Ao destacar esses exames, o pediatra e homeopata paulista, Moisés Chencinski, disse que o objetivo não é criar pânico, mas, destacar que o estudo é mais um forte argumento para vacinar, porque “diversos estudos mostram que a coqueluche é uma doença séria, associada a convulsões e danos cerebrais, mas este é o primeiro estudo a encontrar uma associação com a epilepsia. O mecanismo não é claro, mas os autores sugerem que a tosse convulsa da coqueluche pode reduzir o fluxo de oxigênio para o cérebro”. A vacinação é o principal meio de controle da doença. “Crianças até sete anos devem ser vacinadas contra a coqueluche. Verifique se a carteira de vacinação do seu filho está atualizada. A criança deve receber essa vacina aos 2, 4 e 6 meses de vida com um reforço aos 15 meses e outro entre 4 e 5 anos. A vacina contra a coqueluche faz parte da vacina tríplice (difteria, tétano e coqueluche)”, e pode ser aplicada na rede pública ou particular, diz o médico.

Fala verdade, caro leitor: você poderia imaginar que até a coqueluche seria motivo de grandes preocupações para os pais pobres desse país?