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As muitas vidas de Bruno

Para Bruno, só a traição dos amigos de periferia, a indiferença dos amigos de Flamengo e a força negativa que atraiu já são uma sentença de...

11/01/2016 às 12:07

A entrevista de Tiago Reis com o preso mais famoso de Minas, na semana passada, foi, nos meus critérios, a melhor de todas desde o anúncio de que o poderoso goleiro do Flamengo estava envolvido no assassinato da modelo Elisa Samúdio. Reveladora – pela primeira vez Bruno disse “eu cometi um crime” – instigante, humana, construtiva e definitiva, no sentido de consolidar a mais estarrecedora das verdades sobre o rumoroso caso: o ex- jogador de futebol profissional é pessoa que já viveu muitas vidas, saiu do nada para o pódio, despencou do estrelato para a sarjeta, está renascendo das cinzas e promete lutar muito ainda. Pela vida.

Não conheço Bruno pessoalmente. Mas, sempre pude compreendê-lo de maneira diferente: quando apareceu no Atlético e deu as primeiras entrevistas, pensei em mais um moço despreparado para a fama. Depois, já no Flamengo, cada vez que ele abria a boca era um desastre. Com a notícia do crime, não tive dúvidas: é o típico caso do jovem que saiu da periferia (aqui entendido como lugar de se morar, mais humilde, sem recursos e infraestrutura, mais longe do centro), mas a periferia (o pensar pequeno, a arrogância, amigos falsos e aproveitadores) não saiu dele. E, logo nos primeiros lances do rumoroso processo legal, constatei, junto com milhões de brasileiros, o massacre: emissoras de TV pagando (não a ele) por entrevistas, repórteres pouco qualificados invadindo a privacidade da mãe do rapaz de fora truculenta, policiais em campanha política, “especialistas” querendo a fama a qualquer preço e os advogados... Bem, com todo respeito à categoria e à maioria, sabemos que advogados, como quaisquer outros trabalhadores, são humanos... Alguns, desumanos. Disse várias vezes, no rádio, na TV, aqui neste espaço que com os advogados que contratava Bruno não precisava de inimigos. Hoje, ele afirma isso. Passou 90 dias sem ver a família, decidiu errado, só não morreu de desespero porque é forte.

Bruno já teve alguns milhões de reais (talvez 8, quem sabe 10) hoje é um homem “quebrado”. Conseguiu a bênção de ir para uma APAC (método mais decente de se recuperar criminosos) está no caminho da cura e, acredito, voltará a jogar futebol. Aliás, estou torcendo por isso. Afinal, ele já está há mais de cinco anos atrás das grades e, como não consigo me imaginar cinco dias, espero sua progressão para que possa exercer seu ofício e voltar para dormir no presídio. Dirão: você se esquece da Elisa, etc. Eu olho é para frente, diferencio bandido (que tem de ficar na cadeia) de criminoso, que merece nosso apoio para se arrepender, voltar ao convívio da sociedade e deixar o xadrez para os bárbaros. Para Bruno, só a traição dos amigos de periferia, a indiferença dos amigos de Flamengo e a força negativa que atraiu já são uma sentença de dor perpétua. 

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