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Apartheid à brasileira

Sérgio Luiz Paola é um homem bem sucedido, tanto na vida pessoal quanto profissional. Adora ser chamado de “Pastô”.

06/12/2013 às 08:41

Sérgio Luiz Paola é um homem bem sucedido, tanto na vida pessoal quanto profissional. Adora ser chamado de “Pastô”. Me preocupa é a decisão deste chefe de família de abandonar uma de suas paixões – ir ao campo de futebol. Mais que isso, diminuir a intensidade de seu amor ao clube e evitar propagar sua fé, para não se sentir responsável por tragédias. Ele é só mais um, entre tantos – eu, inclusive – que estão abandonando os campos de futebol e outras manifestações populares onde os bandidos possam agir fingindo-se torcedores ou manifestantes. Vejam o e-mail que me enviou depois da festa que não aconteceu pelo título do Cruzeiro:

“Eu gostaria de dividir com você os meus sentimentos após ir ao jogo; o que vivenciei fez-me pensar e tomei uma decisão de, com a ajuda de Deus, nunca mais participar de um jogo de futebol ao vivo. Aquilo não é uma coisa humana, chega ao limiar da barbárie, aflora em nós os sentimentos mais selvagens que a humanidade com o passar dos tempos está tentando  dissipar a  conta gotas. Pessoas de boa cultura se transformam.... E elas, ou melhor nós somos capazes de matar um ser humano, simplesmente porque sentou em nosso lugar. Dentro do jogo uma histeria coletiva só e  na saída um  bando de demônios à nossa espreita. Vou retirar de minha varanda, qualquer bandeira ou alusão a time de futebol que possa provocar  outras pessoas; continuarei sendo cruzeirense, mas, não participarei desta insanidade coletiva”.

Vivemos um tempo do medo, escrevi anteontem. Assim, ganha quem grita mais alto, prevalece que dá mais socos e pontapés. No caso do futebol, criaram horários absolutamente inapropriados para quem trabalha (ou é sete e meia ou dez da noite) e, não satisfeitos, nos proíbem das coisas mais amadas, como tomar uma cervejinha. Cartolas malucos assumem os clubes mais importantes, pagam fortunas a “cabeças-de-bagre” e, depois, elevam demasiadamente o ingresso, aumentando a distância entre os dois mundos brasileiros – a minoria rica e a esmagadora maioria indignada - ambiente propício para a ação dos bandidos, que não respeitam ninguém, sabem que a polícia está acuada e apostam na impunidade.

Depois que reformaram o Independência fui a apenas um jogo do Galo. No caso do Mineirão, só estive lá para dois shows internacionais. Tenho medo de ir a qualquer lugar com previsão de reunião de mais de 500 pessoas. Não sabemos o que pode acontecer, mas, no caso da ação de marginais, estaremos entregues à própria sorte. O que houve de gente roubada, agredida e ameaçada domingo, no Mineirão, foi uma loucura. E, depois, quando os moradores da Pampulha repudiam grandes eventos são chamados de elitistas. Quem passou por lá e viu o estrago agora sabe do que estão falando. Assim como o racismo, o apartheid no Brasil é disfarçado e se resume a uma verdade cada vez mais latente: os honestos presos dentro de casa e os bandidos se esbaldando na rua.

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