Eduardo Costa

Coluna do Eduardo Costa

Veja todas as colunas

Mais Notícias

APAC ameaçada

APAC ameaçada

06/05/2013 às 02:13

Dias atrás usei esse espaço para advertir sobre o risco de estragarmos uma ótima ideia conhecida pela sigla de APAC. A Associação de Proteção e Assistência aos Condenados nasceu como alternativa a um modelo falido de sistema penitenciário, no qual o Estado só faz discurso de prioridade, as reais chances de recuperação são mínimas e a manutenção do preso é cada vez mais onerosa. A APAC deu tão certo que resolveram burocratiza-la. Ou seja, antes, um juiz, como o de Itaúna ou o de Nova Lima, coordenava as iniciativas que partiam de voluntários da sociedade, reunindo esforços para criar um ambiente de convivência saudável. Ali, o preso limpa a casa, arruma a cama, faz a comida, faz da rotina diária as atividades necessárias ao gasto de energia, sem ficar com a cabeça a toa, pensando bobagem. Mas, como dava certo, era simples, mais barato, todo mundo cresceu o olho. Arranjaram um nome chique – “Novos Rumos” e destacaram juízes e desembargadores para tomar conta. Resultado: descobrimos, agora, que estão colocando presos com história criminal horrorosa nas unidades da APAC. No final do ano passado, alguns dos perigosos foram resgatados de Santa Luzia. Anteontem, outro fugiu em Patrocínio e ontem mais um escapou em Santa Luzia. Quando a gente vai olhar o prontuário tem tráfico de drogas e assalto. Ora, alguém poderá dizer, se o preso já tem um tempo de regime fechado, fez jus à progressão, por que não leva-lo para a APAC onde terá ambiente mais favorável à recuperação? E vos direi: porque um dos ditados mais antigos e respeitados é “pau que nasce torto, morre torto” e, lamentavelmente, na nossa experiência de reportagem policial, a gente percebe que bandido é bandido. Então, por que não combinarmos o óbvio: a APAC fica reservada para criminosos eventuais, como os que matam a ex-mulher, alguém no trânsito ou por uma briga de vizinhos... Estes têm de cumprir a sua pena e, se ficarem perto de casa, da família, terão o apoio necessário para mudar de verdade. Os perigosos, os facínoras, que matam pelo prazer de ficarem mais famosos nas suas comunidades, têm de permanecer em ambiente isolado e o maior tempo possível na cadeia, com direito – e dever – de trabalhar para diminuir a despesa. Parece tão simples. Uma APAC em cada cidade e penitenciárias para os que querem roubar a nossa paz. Por que a gente não pode fazer assim?

Escreva seu comentário

Preencha seus dados

ou

    #ItatiaiaNasRedes

    RadioItatiaia

    TIRO DE META, COM EMERSON PANCIERI - 27/01/2022

    Acessar Link

    RadioItatiaia

    😷 Apesar da queda, dois dos três índices permanecem no vermelho #Itatiaia https://www.itatiaia.com.br/noticia/covid-19-todos-os-indices-que-monitoram-a-pandemia-registram-q...

    Acessar Link