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Aonde vamos parar?

Aonde vamos parar?

Um cidadão, que pede para ser identificado apenas por Júnior – o que não diminui a importância do que relata – enviou-me email para relatar conversa dele com um trabalhador da Escola Estadual Professor Magalhães Drumond, no Bairro Nova Cintra.

Como sei que essa é a situação da maioria dos estabelecimentos, e como sei também que se procurar informações oficiais vão me dizer que não é bem assim, passo adiante o absurdo: os profissionais da educação, disse o tal funcionário, são reféns dos delinquentes e não podem sequer reclamar. Fazem a política dos “três macacos”: não vêem, não ouvem e não falam. A turma da farra chega as 7 da manhã, ocupa parte do imenso terreno e, se alguém ousa dizer alguma coisa, advertem que estão fazendo é um favor, considerando que não picham, não roubam, enfim, são protetores”. No fim de semana, diz o relato do Júnior, quando não há aulas, invadem as instalações, pegam o que lhes interessa, estragam objetos, fazem churrascos lá dentro. Às vezes, até colchão tem na farra. E também conversas de que se paga drogas com amor (ou sexo).  Recentemente, se irritaram com uma obra que pretende aumentar a altura do muro. Furtaram ferramentas, carrinhos e outros equipamentos dos empreiteiros.

Considerando que a sede do 5º Batalhão fica há menos de 3 quilômetros da escola, nosso internauta pede socorro, suplicando que façam algo além do famoso BO (boletim de ocorrência). Finalmente, ele roga aos céus para que continue acreditando na possibilidade de aqueles jovens que tentam estudar tenham bons exemplos e não a rapaziada para cima e para baixo, a toa, bebendo cerveja e fumando maconha. Dentro da escola. É impressionante como a malandragem está tomando conta de tudo e nós apenas assistimos, com medo... Medo de apanhar ou de perder um emprego.

Gosto muito de lembrar trechos do poema “No caminho, com Maiakósvski”, de Eduardo Alves da Costa, que diz “...Tu sabes; conheces melhor do que eu a velha história; na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim; e não dizemos nada; na segunda noite, já não se escondem: pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada; até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta; e já não podemos dizer nada”.