Ouça a rádio

Compartilhe

Ano novo?

Os primeiros dias de 2014 são um alerta. Para que o ano seja realmente novo, mereça esse nome – nos ensinou Drumonnd – a gente tem de mudar.

Os primeiros dias de 2014 são um alerta. Para que o ano seja realmente novo, mereça esse nome – nos ensinou Drumonnd – a gente tem de mudar. Ou, no mínimo, tentar. Vejamos alguns fatos: o Hoje em Dia publicou ontem que a nossa bancada federal tem o maior índice de faltas em reuniões de comissões da Câmara Federal; o número de mortos durante as festas natalinas bateu novo recorde, tanto no trânsito quanto nos crimes de homicídio; um major, com sintomas de embriaguês, saiu da pista, subiu no passeio, atropelou cinco, matou uma criança, recusou-se a fazer o teste do bafômetro e seus superiores o levaram para o hospital, alegando “estado de choque”. E a Prefeitura está quebrando, de novo, um dos viadutos do complexo da Lagoinha.

O que têm em comum esses episódios? A mesmice. No caso da ação (ou seria omissão?) de nossa bancada federal em Brasília, é sabido que o seu desempenho é pífio. São 53 deputados, três senadores e absoluta falta de comprometimento com o Estado, com a região metropolitana de Belo Horizonte, com os mineiros, enfim. Ou alguém tem outra explicação para o fato de que, hoje, três de janeiro de 2014, não temos um projeto e nem verbas asseguradas para duplicação da 381, revitalização do Anel Rodoviário da capital e ampliação do nosso metrô? Nossos parlamentares vivem entre um discurso e outro e a verdadeira prática que é a de arranjar emendas individuais, levar pequenas obras ao maior número possível de municípios e, assim, continuar se locupletando das benesses do poder.

Em consequência, temos uma Polícia Rodoviária Federal de mentirinha, onde raros homens e mulheres fazem das tripas coração para uma tarefa impossível de fiscalizar 10 mil quilômetros de estradas e vão contando os mortos. Quanto aos crimes de homicídio, é espantosa a participação das drogas nas mortes e, igualmente, a nossa indiferença diante da epidemia. Se o assunto é a capital, o melhor exemplo é o complexo da Lagoinha – o mais complexo do mundo – onde todo dia quebram um monte de concreto recém-construído para fazer outro, sem, nunca, resolver os problemas.  Alguns meses depois de uma reforma completa e aumento de alguns centímetros apenas nas laterais dos dois viadutos de acesso ao centro, lá estão os operários de novo. Quebraram a divisão das pistas que dão aceso à Rua Caetés e à Avenida Olegário Maciel. Fizeram isso na segunda-feira e complicaram todo o trânsito. Pararam terça, quarta e ontem... É provável que hoje também fiquem de folga para, na segunda, quando voltar todo o tráfego de veículo, interditarem tudo de novo e causarem um transtorno de parar o hipercentro.

Inacreditável como continuamos numa cidade sem planejamento, em que vão fazendo, quebrando e refazendo, gastando o nosso dinheiro, sem que haja a devida reação; incrível como as nossas autoridades continuam protegendo os fortes, dando, por exemplo, tratamento diferenciado ao major que causou o acidente, atribuindo-lhe “estado de choque” no lugar de encaminhá-lo para as devidas providências policiais que, seguramente, deveriam indicar autuação. Assim, não teremos um ano novo. Assim, vai ser difícil acreditar em mudança. Acorda, gente!