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Ainda sobre suicídio

O mundo tem hoje, segundo a OMS, 3 mil suicídios por dia, um a cada 30 segundos e, para cada morte consumida 20 outras...

20/03/2015 às 03:39

Para os que possam achar exagerada a minha preocupação com o tema, sugiro uma conversa com qualquer especialista sobre as causas do suicídio. Sempre ouvi que a motivação primeira é a depressão que, somada à falta de perspectiva e a indiferença por parte dos outros, levam a pessoa a um estado de alto risco. Elas não querem se matar, mas, acham que, com a morte poderão cessar o sofrimento. E eu pergunto: em algum momento a espécie humana sofreu mais pressão que agora para ser feliz? As redes sociais criaram um ambiente misto de publicidade de intimidades com ostentação desenfreada. Às vezes, fico de queixo caído porque a pessoa pede uma foto, concordo e, cinco minutos depois, alguém me liga e pergunta o que estou fazendo em tal lugar. Mas, como? A tal foto já está no “face”, no “instagram”. Negócio louco. E, nesta batalha por contar o que se passa as pessoas já não apreciam um museu ou um show e muito menos “almoçam juntas” no domingo; apenas vão ao mesmo restaurante, mas, passam horas, cada um olhando para o seu “phone”. Isso acrescido de crise, desemprego e desesperança, meu Deus!

O mundo tem hoje, segundo a OMS, 3 mil suicídios por dia, um a cada 30 segundos e, para cada morte consumada, 20 outras são tentadas. No Brasil, a estimativa é de que 17 por cento das pessoas já pensaram em se matar pelo menos uma vez. É real. E a gente insiste em empurrar para baixo do tapete. A mãe de Elena – cuja morte, em Nova Iorque, resultou em documentário dirigido pela irmã Petra e muito elogiado – diz que, depois do baque, tentava falar sobre o assunto e nem o pai da menina topava.

Eu tenho um amigo que está fechando uma oficina mecânica de 30 anos que já teve 100 funcionários; outro acaba de demitir 140 colaboradores porque a fábrica está parada; o mercado imobiliário está absolutamente inerte, enfim, confirma-se o que já sabíamos: no Brasil, não existe capital de risco... Ao primeiro sinal de dificuldades, quem tem muito corre para a especulação e que se dane a produção, o emprego...

Quer ambiente mais propício para o desespero? É por isso que eu, apaixonado pela vida, defendo debates sobre a morte. Especialmente a prematura, a provocada, a evitável. O perigo pode estar dormindo conosco.

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