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Ainda sobre 'mais médicos'

Havia combinado comigo mesmo de não falar e muito menos escrever a respeito do programa do governo federal que chamam de “Mais Médicos”.

Havia combinado comigo mesmo de não falar e muito menos escrever a respeito do programa do governo federal que chamam de “Mais  Médicos”. É tão polêmico, tão questionável que se a gente não fizer um texto de 10 mil páginas dificilmente conseguirá exprimir o que realmente sente, por que sente e porque enxerga onde muitos não podem ver (e, mais importante que isso, se fazer entender). Mas, uma notícia liberada pelo “Contas Abertas”, me obriga a retomar o tema. Está escrito lá:

“Apesar das deficiências, o Ministério da Saúde investiu apenas 26,2% do total de R$ 10 bilhões disponíveis para a compra de equipamentos e realização de obras até agosto de 2013. O percentual equivale a R$ 2,6 bilhões, que inclui o valor de R$ 1,9 bilhão pago em restos a pagar, ou seja, compromissos de anos anteriores, mas só pagos no atual exercício”.

É por isso que, embora a favor, temo que o programa não vai prosperar. E lamento dizer isso porque sei da alegria de muitas pessoas por esse Estado afora com a simples notícia e que terão um “doutor” para conversar um pouco, sugerir procedimentos preventivos, pedir exames essenciais e fazer intervenções urgentes sempre que se fizer necessário. Então, quando vejo gente esculhambando com a presidenta, detonando o ministro da saúde, gostaria de ter convicção para defendê-los. Quando profissionais da medicina chegam de fora e são hostilizados, me emociono porque essa não é a tradição brasileira, não somos assim, jamais seremos mal educados com quem chega; ainda que muitos nos recebam assim lá fora...

O programa não dará certo por dois motivos: o primeiro é que não se pode exigir um exame para revalidar o diploma de brasileiros que se formam no exterior e liberar estrangeiros dessa providência. É indecente. E, depois e principalmente, porque governos fazem discursos, não investem, não cuidam, não cumprem seus deveres e o fato de que, no oitavo mês do ano, o governo federal investiu apenas um quarto do orçamento já pífio para a saúde resume tudo. Sobram discursos, falta estrutura, equipamentos, esparadrapo, seriedade, compromisso, decência, solidariedade e respeito aos semelhantes.