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Ainda há medo na Pedro I

A interdição vai continuar por motivo forte – a Cowan não considera segura a liberação do tráfego de veículos.

Antes mesmo da entrevista coletiva concedida pela Construtora Cowan, na tarde de ontem, duas coisas já estavam decididas dentro da Prefeitura de Belo Horizonte: não há data prevista para reabertura da Avenida Pedro I e, pelo menos por ora, não há a menor intenção de se apontar um engenheiro como responsável pelo viaduto que caiu. A interdição vai continuar por motivo forte – a Cowan não considera segura a liberação do tráfego de veículos, não garante a estrutura da outra alça – e a ideia de se colocar a Sudecap como dona da obra é para evitar estragos pessoais, considerando que, entre projeto, execução e fiscalização, existem mais de 30 engenheiros envolvidos na obra.

Pode não ser convincente, mas é uma resposta. Agora, falta outra, pois, até onde quem é leigo consegue entender, para toda obra deve haver uma ART – Anotação de Responsabilidade Técnica junto ao Conselho Regional de Engenharia. Assim, o CREA continua devendo tal informação, até porque ele é rápido no gatilho para multar qualquer um de nós que ousar fazer um pequeno anexo em casa, se a bendita placa não estiver lá em local visível. Quando ocorrem tragédias, o CREA sempre repete o mesmo discurso de que apenas exige que haja um responsável para que, constatado algum erro, este seja devidamente responsabilizado. Sou obrigado a lembrar da frase muito repetida nas pichações: “Tá certo, mas, tá esquisito”.

 No mais, agora vamos esperar as definições da Polícia Civil, quando o laudo apontará oficialmente as causas e o delegado fará o indiciamento dos responsáveis. No âmbito da PBH, o prefeito já deve ter dado broncas e fica devendo alguma atitude administrativa. Afinal, ele é quem “pagou o pato” da exposição, teve coragem de ir ao local logo após a queda e, provavelmente tomado pela emoção, acabou proferindo uma frase pela qual foi criticado: “Acidentes acontecem”. Ele visitava as obras aos sábados, estava empolgado com o novo sistema e sequer pode colher agora os primeiros frutos do novo sistema de transporte coletivo (afinal, posso até estar enganado, mas penso que o trânsito está melhorando sim na cidade).

De minha parte, vou esperar as conclusões da polícia esperançoso de que haverá punição para os graves equívocos e que um novo viaduto será feito pela construtora, com dinheiro de seguro ou não, sem que os contribuintes sejam chamados a pagar a conta novamente.

A propósito, e a título de curiosidade, por que, a exemplo do “Montese” o viaduto que caiu não foi chamado pelo nome da rua?   Será que Olímpio Mourão Filho foi o general que recebeu o então militante político Márcio Lacerda quando este foi preso, nos tempos duros do Brasil? Homenagear o carcereiro? Nem pensar. Vale dizer que a Batalha dos Guararapes foi travada em dois confrontos entre o exército da Holanda e os defensores do Império Português no Morro dos Guararapes, atual município de Jaboatão dos Guararapes, 10 km ao Sul do Recife, no estado de Pernambuco