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Aglomerado de tristezas

Aglomerado de tristezas

06/05/2013 às 02:13

Nos 35 anos que percorro esta cidade para cobrir as mais variadas formas de cultura, lazer, violência e abandono, aprendi a gostar de alguns lugares em especial. Caso dos bairros Jaraguá, Padre Eustáquio e Santa Tereza, por considerá-los espaços de convivência entre a tradição e a modernidade, esta representada por equipamentos indispensáveis, como agência bancária, padaria, etc. E, mais recentemente, me encantei com o aglomerado da Serra por acompanhar ali as obras do “Vila Viva”, projeto que considero a mais interessante política pública já efetivada em Minas. Trata-se de um conjunto de oito vilas – Nossa Senhora da Conceição, Marcola, Cafezal, Novo São Lucas, Nossa Senhora de Fátima, Fazendinha, Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora Aparecida. Ali existem líderes comunitários de verdade, pessoas preocupadas com os vizinhos, com o bem estar de todos e, para não cometer injustiças, vou citar apenas uma: espécie de unanimidade que é a dona Dalila. Há divergências o assunto é o número de habitantes, mas, com certeza, são mais de 50 mil moradores, dos quais, seguramente, noventa por cento são trabalhadores, empreendedores, gente simples, às vezes discriminada, quase sempre relegada a segundo plano. Os episódios mais recentes não deixam dúvidas de que o aglomerado continua sendo enxergado pelas autoridades apenas com o binóculo da polícia. Pior, da Polícia Militar. Ora, a milícia de Tiradentes é especializada em ação preventiva e ostensiva, não tem como missão primeira assistência social, mobilização comunitária. Então, quando acaba uma crise, como as graves que assistimos nos últimos anos, a Prefeitura continua indiferente, o Estado finge que não é com ele e a União sequer lembra que aqueles seres humanos estão ali. Quando estoura outro episódio desagradável, lá está a PM, quase sempre sem a flexibilidade necessária e exposta à própria sorte, sem qualquer suporte. O aglomerado, minha gente, não quer só polícia. Precisa dela. Nós todos precisamos. Mas, antes, quer conversa, organização, festas públicas autorizadas, visita de secretário a líderes comunitários, audiência com o próprio prefeito, ação coordenada da Defesa Social para enfrentar os traficantes, apoio aos moradores no combate aos demagogos da polícia... Tratem o aglomerado com respeito! Ah, e não acabem com o baile como solução dos problemas... A maioria esmagadora merece alegria.

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