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Lembrei-me que minha Colega Camila Dias enviou-me trecho do diálogo da peça teatral “Le Diable Rouge”, de Antoine Rault, escrito 400 anos atrás...

18/09/2015 às 11:14

Foi mais uma semana difícil nesta crise que não é só econômica e nem apenas combinada com a política; é também de confiança – ou de falta desta – é de prostração, vitaminada por frustração e, convenhamos também de caráter. Quando a Dilma chamou os governadores para falar de impostos, imaginamos que pediriam a ela para ter juízo... Aprovaram a inacreditável ideia de nova CPMF desde que, claro, venha um pouco a mais para eles também...

Lembrei-me que minha Colega Camila Dias enviou-me trecho do diálogo da peça teatral “Le Diable Rouge”, de Antoine Rault, escrito 400 anos atrás. Vejam como é atual:

Colbert: Para arranjar dinheiro, há um momento em que enganar o contribuinte já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é possível continuar a gastar quando já se está endividado até o pescoço…

Mazarino: -Um simples mortal, claro, quando está coberto de dívidas e não consegue honrá-las, vai parar na prisão.Mas o Estado é diferente!Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se… Todos os Estados o fazem!

Colbert: - Ah, sim? Mas como faremos isso, se já criamos todos os impostos imagináveis?

Mazarino : Criando outros.

Colbert: -Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.

Mazarino : Sim, é impossível.

Colbert: - E sobre os ricos?

Mazarino: E os ricos também não. Eles parariam de gastar.E um rico que gasta, faz viver centenas de pobres.

Colbert: - Então, como faremos?

Mazarino: - Colbert! Tu pensas como um queijo, um penico de doente!Há uma quantidade enorme de pessoas entre os ricos e os pobres: as que trabalham sonhando enriquecer e temendo empobrecer.É sobre essas que devemos lançar mais impostos,cada vez mais, sempre mais!Quanto mais lhes tirarmos, mais elas trabalharão para compensar o que lhes tiramos.Formam um reservatório inesgotável.É a classe média!

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