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A voz rouca das ruas

As manifestações que temos assistido nos exigem certa paciência para digerir comentários e indagações. É preciso ter estômago para ouvir do secretário-geral da Presidência que ele ainda não entendeu a o que está acontecendo.

As manifestações que temos assistido nos exigem certa paciência para digerir comentários e indagações. É preciso ter estômago para ouvir do secretário-geral da Presidência que ele ainda não entendeu a o que está acontecendo. É exatamente por isso, ministro, por contarmos com gente importante como o senhor que não percebe o que acontece na porta de seu palácio, que o povo está cansado. Estamos perdendo um tempo danado para discutir penduricalhos quando o que interessa é o fato de o povo estar nas ruas. E é muita gente! Então, vamos, inicialmente, admitir (mesmo os que não são usuários como eu) a força das chamadas redes sociais.

 No caso nosso, de profissionais da notícia, temos de botar as barbas de molho porque só seremos considerados formadores de opinião se tivermos serenidade, olho bastante para ver os fatos de diversos ângulos e espírito de solidariedade. Acima de tudo, precisamos ter sensibilidade para perceber que as pessoas estão cheias. De corrupção, de inflação (maior que os índices oficiais), de transporte ruim, violência por todo lado, falta de médico, professores desmotivados... A população sabe quanto ganha um aposentado do INSS e outro do Ministério Público, do  Judiciário ou do Congresso Nacional.

Como tem gente palpitando por todos os lados, quero enfiar minha colher de pau e advertir que, no lugar de discutir a ação da polícia temos é de oferecer transporte decente; em vez de tentar identificar quem está nas ruas é perceber que é muita gente, e, finalmente, nunca esquecer que toda água represada um dia rompe o dique, entorna o caldo, faz valer o velho “água mole, pedra dura, tanto bate até que fura”.  Estamos todos cansados de perceber o faz de contas entre os poderes, a falta de compromisso partidário dos políticos. Estamos enjoados do que fazem os banqueiros, os empreiteiros, donos de empresas de ônibus e outros poderosos que só aumentam seus lucros ignorando o interesse nacional e protegidos por um sistema que só mascara a verdadeira economia, o tal mercado financeiro, os investimentos e só faz aumentar as desigualdades sociais.

Fosse eu um governante e estaria chamando essa gente para conversar, identificado possíveis líderes e firmando compromissos de respeito mútuo... É melhor fazer isso antes que a manifestação se transforme em insurreição – “ação de insurgir ou insurgir-se, sublevação, rebelião, revolta contra o poder estabelecido”.