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A tragédia que mata na rua começa no gabinete

A tragédia que mata na rua começa no gabinete

E a gente continua computando mortos e feridos em acidentes (eu disse acidentes?) que não têm qualquer explicação lógica. Quando não é um rapaz sem juízo dirigindo alcoolizado e em grande velocidade é uma van sem freios em pleno hipercentro. Mas, o que realmente dói é a falta de providências efetivas, repostas decentes, providências urgentes para evitar novas ocorrências de desastres que chocam pela violência e o estrago que fazem nos veículos e nas famílias envolvidas. Depois da morte do jovem no trevo do Belvedere, descobre-se que a Avenida Nossa Senhora do Carmo fica sem qualquer fiscalização desde ali, onde a Bhtrans considera seus limites, até o shopping junto à Raja Gabaglia, onde a Polícia Rodoviária começa a atuar... Então, a curva do ponteio, de tantas mortes, não tem padrinho nem madrinha? No caso do mais recente acidente, na Rua Goitacazes esquina de São Paulo, quando disseram que tanto a van quanto o caminhão envolvidos estavam com documentação irregular não tive dúvidas: a causa alegada seria falta de freios. A Bhtrans diz que só fiscaliza vans que fazem transporte de passageiros e aquela é de cargas... O Batalhão de Trânsito informa que não pode precisar o número de vans e caminhões fiscalizados nos últimos meses porque não tem separado por tipos de veículos... A verdade – e eu já disse isto neste espaço – é que hoje você pode andar com um caminhão caindo aos pedaços, sem freios, sem faróis, sem documentos, com o dobro da carga para a qual tem capacidade de levar que ninguém vai parar a máquina mortífera, ainda que esteja no Anel Rodoviário ou no centro da cidade... Ninguém fiscaliza. Não tem lugar nos pátios para por mais. Existem 92 mil automóveis nos estacionamentos contratados pelo Detran esperando por leilões... Só na capital são mais de 11 mil... E assim, além de estarmos sujeitos a tragédias, ainda temos de conviver com um número cada vez maior de furtos e roubos de veículos para receptadores atenderem o mercado de peças usadas. Mistura de omissão, burocracia e falta de vontade política que as futuras gerações vão cobrar. Quem vai pagar por isto? A propósito, uma das duas mulheres mortas na segunda, no centro, tinha duas filhas - uma de sete outra, de três anos, filhas de pais diferentes, ambos já assassinados. Quem garante o futuro dessas inocentes?