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A síndrome da BR 381

A síndrome da BR 381

06/05/2013 às 02:13

Quando uma de minhas filhas tinha três ou quatro anos descobri que a gente é capaz de qualquer coisa, quando pressionado. Eu, que fujo até de pequinês, parti para cima de um pastor alemão, chutei a boca dele e o fiz correr. Depois é que veio o susto, as pernas bambearam. Mas, quando o cão do vizinho escapou da focinheira e partiu para cima da Fernanda não pensei em nada. Nem no medo.

Quase três décadas depois me lembrei desse fato por volta de cinco horas da madrugada de segunda-feira, quando vencia o trevo de Caeté, rumo a Belo Horizonte. Explico melhor: no último fim de semana fui ao Espírito Santo para participar de um curso e, na noite de domingo, o aeroporto de Vitória foi fechado por conta do mau tempo. Peguei o primeiro táxi, venci a capital capixaba de norte a sul debaixo de um temporal e, por volta de 21h20m saí da rodoviária com destino a Belo Horizonte.

Na minha ânsia para não perder o trabalho na manhã de segunda-feira, não havia espaço para outra coisa que não fosse torcer para chegar. Mesmo debaixo de uma chuva torrencial que acompanhou o ônibus por nove horas e meia. Já em Caeté, com o dia clareando, me perguntei por que não conseguia pregar os olhos se os outros dormiam profundamente. A resposta não demorou: era o medo da “rodovia da morte”. É o medo que tenho e tantos outros têm. Tanto que contei a uma amiga, Maria Elisa que, imediatamente lembrou-se de Patrícia, senhora cujo marido trabalha em Ipatinga, para onde ela vai rotineiramente, sem nunca conseguir relaxar na viagem.

Agora, reflita comigo, caro amigo... Descobrimos uma nova doença. Temos um sem número de pessoas que enfrenta uma viagem – algo que deveria ser prazeroso – por várias horas travadas como se estivessem diante de um boi bravo ou a ameaça de uma arma. Aonde chegamos!

E temos a síndrome do anel rodoviário de Belo Horizonte também. Eu mesmo já pedi desesperadamente a minha filha para não passar por lá. Que situação!Mas, se convocarmos os especialistas da Organização Mundial de Saúde para avaliar qual endemia oferece mais perigo e está bem perto de se tornar epidemia não haverá dúvidas: é a SPE – Síndrome das Promessas Eternas dessa gente que só visita suas “bases” de avião e, por isso, não conhece a nossa dor. Lá, no tal curso que fiz no norte capixaba, entre outras coisas aprendi que, embora vivamos no mesmo país, habitamos vários mundos... Não fosse isso e devolveríamos a dor de barriga, no dia da eleição...

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