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A próxima tragédia de BH

Ainda estamos cabisbaixos pela queda do viaduto e outra ocorrência grave está prestes a ser escrita, com prejuízos para os mais pobres.

30/07/2014 às 12:34

Ainda estamos cabisbaixos pela queda do viaduto e outra ocorrência grave está prestes a ser escrita, com prejuízos para os mais pobres. A Santa Casa examina a possibilidade de fechar sua maternidade, a Hilda Brandão, já no mês de setembro, por falta de recursos. Pode ser o fim de uma casa de 98 anos que atende, na esmagadora maioria de seus 350 partos mensais, os casos mais complicados, que exigem profissionais qualificados para preservar bebês e mamães. Guilherme Riccio, superintendente de assistência à saúde da Santa Casa, admite a possibilidade de fechamento sob o argumento de que as dívidas já superam 500 milhões de reais e a instituição não pode continuar acumulando prejuízos. No caso da Hilda Brandão, há um déficit mensal da ordem de 900 mil reais, sendo que a própria Prefeitura da capital já admitiu que o custeio mensal devesse sofrer uma injeção de 1,3 milhões de reais ao mês, para adequação de recursos humanos e cumprir determinações da Vigilância Sanitária. Aliás, é a vigilância que exige investimentos imediatos de 3 milhões de reais e procedimentos que acrescentariam 400 mil reais aos gastos mensais com a maternidade.

Ainda impactado pelas recentes notícias de fechamento do Pronto Atendimento da Santa Casa de São Paulo, fiquei embasbacado quando soube da possibilidade de fechamento da Hilda Brandão. Então, pensando nos campos da Copa, em centros administrativos e outros luxos, lembrei-me da carta de despedida que o Imperador Vespasiano deixou para seu filho Tito, aconselhando-o a construir o Coliseu de Roma e indagando onde o povo prefere pousar o “seu clunis (sua bunda): numa privada, num banco escolar ou num estádio”. A carta:

"Tito, meu filho, estou morrendo. Logo eu serei pó e tu, imperador. Espero que os deuses te ajudem nesta árdua tarefa, afastando as tempestades e os inimigos, acalmando os vulcões e os jornalistas. De minha parte, só o que posso fazer é dar-te um conselho: não pare a construção do Colosseum. Em menos de um ano ele ficará pronto, dando-te muitas alegrias e infinita memória. Alguns senadores o criticam, dizendo que deveríamos investir em esgotos e escolas. Não dê ouvidos a esses poucos. Pensa: onde o povo prefere pousar seu clunis [sua bunda]: numa privada, num banco de escola ou num estádio? Num estádio, é claro. Será uma imensa propaganda para ti. Ele ficará no coração de Roma por omnia saecula saeculorum [por todos os séculos] e sempre que o olharem dirão: 'Estás vendo este colosso? Foi Vespasiano quem o começou e Tito quem o inaugurou'. Outra vantagem do Colosseum: ao erguê-lo, teremos repassado dinheiro público aos nossos amigos construtores, que tanto nos ajudam nos momentos de precisão. Moralistas e loucos dirão que mais certo seria reformar as velhas arenas. Mas todos sabem que é melhor usar roupas novas que remendadas. Vel caeco appareat (Até um cego vê isso). Portanto, deves construir esse estádio em Roma. Enfim, meu filho, desejo-te sorte e deixo-te uma frase: Ad captandum vulgus, panem et circenses (Para seduzir o povo, pão e circo). Esperarei por ti ao lado de Júpiter."

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