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A praia é a cara do Brasil

Quando o carro começa a deslizar pelas ruas de Cariacica - com o devido perdão da palavra e o respeito aos que lá habitam - que visão do inferno!

Se a viagem de trem passou a sensação de bem estar e segurança e as paisagens vistas através dos vagões permitiram as felizes divagações, o fim da linha, na Estação Pedro Nolasco é uma sacudida violenta para avisar que a realidade está de volta. Quando se desce do trem, noite já escura, não há placa ou alguém sinalizando para a esquerda ou direita... O jeito é seguir o fluxo. 

Cem metros depois um beco dos aflitos: dezenas de taxistas gritam a plenos pulmões, brigam entre eles, disputam um possível cliente no tapa.
Quando o carro começa a deslizar pelas ruas de Cariacica - com o devido perdão da palavra e o respeito aos que lá habitam - que visão do inferno! Não há falta de recursos ou incompetência que justifique área tão degradada... O táxi desliza por Vitória, que expõe a realidade brasileira: prédios suntuosos de frente para o mar e as mazelas de cidade grande no interior.

Em Vila Velha, a primeira decepção é o hotel: a diária é 290, pode ser 270 ou até 210... é só ficar um pouco na recepção para ver que os preços combinam com a voz de quem ligou. No meu caso, mineiro, bobo e atrasado (reservei em cima da hora), 490 reais por quarto... A desculpa é o “pacote de réveillon”... Se pelo menos tivesse um elevador...

Na manhã seguinte, Vila Velha 30 anos depois. A ponte que liga os dois municípios tem agora uma praça de pedágio na chegada a Vitória e o taxista diz que paga 80 centavos com prazer porque antes estava uma bagunça.. É provável, pois, debaixo dela, os usuários de droga tomaram conta. Pior mesmo é na praia. O prefeito não apenas negligencia o reparo nas duchas (a maioria está estragada lá e em outros municípios) como, simplesmente, não construiu, até hoje, um único banheiro na praia. É como se dissesse: façam xixi no mar. Ele deve ser amigo do prefeito de Guarapari: querem bons turistas, mas não são bons anfitriões.

Mas, tudo bem... Comi um camarão inesquecível, relembrei os tempos do peroá frito e, claro, me esbaldei na moqueca. Sem falar em encontros com gente boa e aquele marzão da Praia da Costa... Trem bão, sô!

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Êta trem bão!