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A ponte das Velhas e as viúvas pobres

A ponte das Velhas e as viúvas pobres

06/05/2013 às 02:13

Qual a grande diferença entre a ponte sobre o rio das Velhas e as pensionistas da Previdência Social? Simples: ninguém liga para a ponte, ou melhor, não ligava até ela se rachar, enquanto há um monte de gente chique de olho na poupança das viúvas e outras brasileiras pobres que poderão ficar a descoberto muito em breve.

Falemos primeiro da ponte. Tudo o que o senhor ouvir essa semana de discurso é só conversa de quem quer aparecer, ganhar mais votos ou se arrumar pegando a obra sem licitação e, assim, podendo faturar uma belíssima grana. A ponte rachou porque ela é como árvore, é como gente, que nasce, cresce, fica velha e morre. É a lei da vida. O jeito de prorrogar a existência é fazer check-up, remendar, vigiar, recuperar, preservar, cuidar... Isso. Essa é a palavra – cuidar. E não cuidaram da ponte, porque não havia interesse político ou econômico e a preservação da vida não é prioridade na nossa sociedade.

O DNIT – que já foi DNER – enriqueceu, elegeu e fez a fama de muitos mineiros nas últimas décadas, mas não consegue fazer o básico que é nos garantir rodovias decentes para o nosso trânsito. Dá nojo dessa gente engravatada que agora vai nos proporcionar seis meses de muita raiva. Ah, e para encerrar: por que não aproveitam esse vexame e iniciam logo a duplicação da rodovia, até Monlevade? Esqueçam esses detalhes burocráticos da (necessária) licitação, criem uma comissão que inclua alguém do Tribunal de Contas da União para fiscalizar a roubalheira e vamos tocar logo a obra...

Agora, falando das pensionistas: O Ministério da Previdência planeja limitar critérios de concessão de pensões por morte. O objetivo, dizem eles, é o de diminuir o alto déficit previdenciário e evitar que o beneficio contemple quem não precisa dele. O plano promete não alterar direitos adquiridos, mas prevê impor período mínimo de contribuição e obrigar o dependente a provar que não pode se sustentar.

Qualquer brasileiro sabe que, com o envelhecimento da população, algo precisa mudar no nosso regime previdenciário. O triste é que, com certeza, mais uma vez, vai sobrar só para uma parcela que não tem padrinhos. Estou dizendo que a mulher de um pedreiro estará seriamente ameaçada de não receber pensão daqui há alguns anos, porque o Ministério da Previdência quer, o da Fazenda apóia e não haverá vozes discordantes no nosso Congresso Nacional comprometido até a espinha dorsal.

Mesmo na imprensa poderosa, como no jornal Folha de São Paulo, haverá mais uma vez aplausos, como houve quando criaram o fator previdenciário – essa indecência que retira até 30 por cento do salário já pequeno do cidadão na hora de ele se aposentar. Mais uma vez duvido que vão mexer com os que têm o poder do lobby. A própria presidente Dilma já avisou que não fará uma reforma, ou seja, não quer  briga com servidores públicos.

Afinal, a verdade que o Brasil teima em não enxergar é que, em 2010, enquanto o déficit previdenciário do setor público bateu em R$ 51,2 bilhões para atender cerca de 950 mil servidores, o do privado ficou em R$ 42,89 bilhões para bancar pagamentos a 24 milhões de pessoas. É preciso dizer mais alguma coisa? Será que vão retirar direitos de pensão da viúva de juiz ou promotor? Vão acabar com aposentadoria no Congresso e nas Assembléias Legislativas? Ou a gente escreve para o deputado federal no qual votamos, ou cobramos do nosso senador ou vem mais economia em cima dos já esfoliados... Não dá vontade de mandar todo mundo para a ponte que (quase) caiu?

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