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A nossa guerra de cada dia

Somos solidários, abrimos o país para perseguidos de todas as partes do mundo e, se alguém tem medo da guerra, que venha, pois, lhe daremos atenção...

Somos solidários, abrimos o país para perseguidos de todas as partes do mundo e, se alguém tem medo da guerra, que venha, pois, lhe daremos atenção, abraço, emprego e até nos sentiremos orgulhosos de conseguir comunicar com alguém que não é fluente em português. Sofremos junto com os sírios, afegãos, palestinos, todos os povos que vivem conflitos sangrentos. O problema é que damos pouca importância para a guerra nossa de todo dia. Comportamos-nos como se as pessoas que estão sendo assassinadas morassem muito longe de nossos filhos... Para não falar em outras formas de abuso, não dá para ignorar que da noite de terça-feira à manhã de ontem cinco pessoas foram vítimas de latrocínio na região metropolitana... Latrocínio, amigos, é quando se mata alguém para roubar.

Durante todo o ano passado foram registrados 63 latrocínios em Belo Horizonte. Nos primeiros nove meses de 2015 foram 59 casos, aos quais se juntarão as novas tragédias: no Conjunto Califórnia, região Noroeste, o taxista “Ribeirinho” foi morto por um casal; do outro lado da cidade, na Floresta, o universitário Tales Costa, de 27 anos, foi esfaqueado; no Calafate, o engenheiro Flávio Froes foi a uma consulta e acabou fuzilado; no Bairro Amazonas, Idalete Borges foi morta por um homem que entrou pela janela, enquanto em Pedro Leopoldo um comerciante conhecido como “Broinha” morreu vítima de ataque cardíaco depois de um assalto.

O governo do Estado confirma que, comparando com o ano passado, 2015 registra aumento das ocorrências de roubo consumado em 20,04 por cento, de 68.782 para 82.567. No entanto, não são os números que me assustam mais. É a falta de medidas estruturantes, mudanças radicais no jeito de administrar as corporações e de cobrança de resultados. Também me preocupa a forma debochada pela qual os presos se expressam quando há um microfone à frente: apresentam-se como pessoas destemidas, prontas para o que der e vier, antecipam que estarão de volta às ruas rapidamente e raramente lamentam um assassinato ou crime igualmente grave.

Também pudera, com os exemplos de Brasília e o julgamento da chacina de Unaí – aquele que se recusa a acontecer.

Mais do que nunca, a gente só pode garantir que sai de casa para trabalhar. Quanto à volta...