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A maldição do belo horizonte

Às vésperas do Carnaval de 2013, a colega Juliana Lima entrou na redação empolgada e foi logo vaticinando: “Finalmente, Belo Horizonte descobriu sua vocação...

06/02/2015 às 11:10

Às vésperas do Carnaval de 2013, a colega Juliana Lima entrou na redação empolgada e foi logo vaticinando: “Finalmente, Belo Horizonte descobriu sua vocação; os blocos de rua são a nossa cara, é só a prefeitura não atrapalhar, além de oferecer o mínimo de estrutura, como banheiros móveis”. Dois anos depois, também numa segunda-feira e já perto da folia de momo, a jornalista considerava nossa triste realidade, diante de muita polêmica em Santa Tereza, onde jovens foram baleados e travou-se intensa discussão para definir se o encontro das pessoas nas ruas é possível, como fazê-lo, até que horas, etc.

“Parece uma maldição, tudo que tende a crescer em Belo Horizonte acaba logo”, disse Juliana. A frustração dela merece uma análise de nossa vocação para a tristeza, a falta de festa, a ausência do encontro. Já não temos praia, a personalidade do mineiro é mais fechada, desconfiada, e, não bastasse, parece que um ser maior, misterioso e mal decretou que nós não podemos ser grandes. Em nada. Lá no século passado, final dos anos 70, tivemos um prefeito único que mexeu com a cidade e a chamou para as ruas. Maurício Campos conseguiu fazer desfiles de escolas e blocos na Afonso Pena que eram comparáveis ao espetáculo do Rio. Maurício também fez o “Forró de Belô”, que lembrava as monumentais festas juninas do Nordeste. Maurício, que gostava de cachaça para chegar ao povo, deu lugar a Hélio Garcia, que gostava de uísque, era da elite (a mesma origem de nossa classe dominante desde 1500), foi acabando com tudo. Depois, veio Sérgio Ferrara (sofrível), vieram os tucanos, de outra plumagem, e nosso desfile de escolas virou algo triste, para não dizer pior.

Mas, sem que Márcio Lacerda fizesse por onde – porque também não é do tipo que chama a cidade para a rua – os blocos foram saindo, saindo... E as multidões ganharam as ruas. Que alegria! Agora, volta e meia aparece uma autoridade para meter o bedelho e complicar. A única que deveria aparecer – o secretário regional – some, abrindo espaço para que oficiais da PM, promotores e outros comecem a dar entrevistas, sempre com palavras de advertência, proibição e punição. Nós, os jornalistas, gostamos da pauta, em vez de mudá-la, falar de alegria, estimular os foliões, ocupar as ruas... A banda mole sai amanhã, mas, já não desfila, só concentra; bloco de rua em Santa Tereza só até 7 da noite... Tristes horizontes|

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