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A maldade está em nós!

Por mais que me esforce, de vez em quando descubro que estou muito longe do cristão ideal, aquele que perdoa, releva, supera. Em determinados...

Por mais que me esforce, de vez em quando descubro que estou muito longe do cristão ideal, aquele que perdoa, releva, supera. Em determinados momentos, como na semana passada, quando o Papa Francisco (meu herói) desancou aquele milionário doido que quer ser presidente dos Estados Unidos e manifestou compreensão quanto ao possível aborto de mulheres cujos filhos podem ser vítimas da microcefalia, fico todo feliz, sentindo-me alguém próximo de Sua Santidade e, portanto, um ser em construção, que busca a melhoria, um viver melhor.

De repente, vem a estória da mulher que torturava uma menina de cinco anos e me pego querendo a morte da infeliz. A parte boa dá uma bronca na minha consciência: “Onde já se viu? Essa mulher é doente, precisa é de tratamento, hospício já”. Só que o lado mau, esse que a gente cultiva com as feridas da vida, reage, furioso: “Como pode? Perdoar um monstro desses, capaz de praticar as maiores crueldades contra um ser absolutamente indefeso?”.

De fato, o quadro é revoltante. A menina nasceu com as funções orgânicas normais, foi vítima de um erro médico, os pais entraram na Justiça, o plano de saúde foi condenado a manter assistência, contratou três técnicas de enfermagem para cuidar da criança, agora com paralisia cerebral. Meses depois, os pais percebem algo errado, perguntam a uma delas e esta acusa a colega, que é prontamente afastada do lar; a criança continua com sinais de maus tratos, os pais instalam uma câmera e confirmam o pior: além de bater, torturar, humilhar a criancinha, a maldita encarregada de cuidar estava abusando sexualmente da menina.

Presa, diz que não é bem assim, que não fez tudo que lhe é atribuído. Enfim, vem com a conversa dos bárbaros.

Aí, fico pensando: se ela fosse condenada a 20 anos de reclusão e passasse todo esse tempo (eu disse todos os 20 anos) no xadrez, comendo feijão, arroz e verdura e deixando a cela apenas para trabalhar, no pesado, como quebrar pedras para calçar as ruas de Neves e outros municípios, meu lado bom pediria clemência. Ocorre que, com a bondade das nossas leis, os recursos infinitos e as diminuições de pena sem limites, em dois anos ela deve estar por aí, de novo, oferecendo-se para cuidar de velhos sofridos e inocentes indefesos.

Continuo contra a instituição da pena de morte por acreditar que só pobre vai para a forca e muitos inocentes serão aniquilados. Mas, que Papai do céu me perdoe... O que sinto, no fundo do coração (e por isso preciso orar mais, pegar com Deus) é que se fosse pai da menininha eu mataria essa (vou dizer uma palavra que minha mãe não gostava que a gente pronunciasse) desgraçada!