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A maldade está em nós!

Por mais que me esforce, de vez em quando descubro que estou muito longe do cristão ideal, aquele que perdoa, releva, supera. Em determinados...

24/02/2016 às 04:18

Por mais que me esforce, de vez em quando descubro que estou muito longe do cristão ideal, aquele que perdoa, releva, supera. Em determinados momentos, como na semana passada, quando o Papa Francisco (meu herói) desancou aquele milionário doido que quer ser presidente dos Estados Unidos e manifestou compreensão quanto ao possível aborto de mulheres cujos filhos podem ser vítimas da microcefalia, fico todo feliz, sentindo-me alguém próximo de Sua Santidade e, portanto, um ser em construção, que busca a melhoria, um viver melhor.

De repente, vem a estória da mulher que torturava uma menina de cinco anos e me pego querendo a morte da infeliz. A parte boa dá uma bronca na minha consciência: “Onde já se viu? Essa mulher é doente, precisa é de tratamento, hospício já”. Só que o lado mau, esse que a gente cultiva com as feridas da vida, reage, furioso: “Como pode? Perdoar um monstro desses, capaz de praticar as maiores crueldades contra um ser absolutamente indefeso?”.

De fato, o quadro é revoltante. A menina nasceu com as funções orgânicas normais, foi vítima de um erro médico, os pais entraram na Justiça, o plano de saúde foi condenado a manter assistência, contratou três técnicas de enfermagem para cuidar da criança, agora com paralisia cerebral. Meses depois, os pais percebem algo errado, perguntam a uma delas e esta acusa a colega, que é prontamente afastada do lar; a criança continua com sinais de maus tratos, os pais instalam uma câmera e confirmam o pior: além de bater, torturar, humilhar a criancinha, a maldita encarregada de cuidar estava abusando sexualmente da menina.

Presa, diz que não é bem assim, que não fez tudo que lhe é atribuído. Enfim, vem com a conversa dos bárbaros.

Aí, fico pensando: se ela fosse condenada a 20 anos de reclusão e passasse todo esse tempo (eu disse todos os 20 anos) no xadrez, comendo feijão, arroz e verdura e deixando a cela apenas para trabalhar, no pesado, como quebrar pedras para calçar as ruas de Neves e outros municípios, meu lado bom pediria clemência. Ocorre que, com a bondade das nossas leis, os recursos infinitos e as diminuições de pena sem limites, em dois anos ela deve estar por aí, de novo, oferecendo-se para cuidar de velhos sofridos e inocentes indefesos.

Continuo contra a instituição da pena de morte por acreditar que só pobre vai para a forca e muitos inocentes serão aniquilados. Mas, que Papai do céu me perdoe... O que sinto, no fundo do coração (e por isso preciso orar mais, pegar com Deus) é que se fosse pai da menininha eu mataria essa (vou dizer uma palavra que minha mãe não gostava que a gente pronunciasse) desgraçada!

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