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A lama mais letal é outra

Permitam-me dividir algumas perguntas: por que, depois da tragédia, a gente tem de repetir essa ladainha de pedir doações e encher ginásios de roupas...

13/11/2015 às 03:35

Você já ouviu falar que a pessoa é mais feliz quando sabe menos? Claro que esta é uma pergunta aparentemente incabível, mas, garanto, quanto mais leio, ouço e vejo os fatos, com olhar de quem precisa compreendê-los para errar menos na transmissão, mais sofro. Principalmente com os questionamentos. Minha cabeça fica cheia de perguntas... Vai ver que é a síndrome do repórter surrado por conhecer de perto os submundos do poder.

Permitam-me dividir algumas perguntas: por que, depois da tragédia, a gente tem de repetir essa ladainha de pedir doações e encher ginásios de roupas velhas ainda que a empresa responsável pelo desastre tenha lucrado quase 3 bilhões no ano anterior?

Por que a barragem de Mariana produziu tanta tristeza se cinco outras já explodiram nos últimos anos e a gente devia ter aprendido?

Como aceitar que o Ibama vai aplicar uma multa milionária se outras não foram pagas? A propósito, se o Ibama não conseguiu dar solução à encrenca das capivaras na Pampulha, devemos acreditar agora que será incisivo contra as mineradoras?

Se a Assembleia Legislativa não teve coragem de criar uma CPI, como imaginar que a comissão extraordinária vai resultar em ação concreta? Se nossos deputados federais não têm independência para aprovar o novo marco mineral, o que farão, no âmbito nacional, para nos indicar outros caminhos?

Já que a presidente Dilma disse, agora, que a Samarco vinha descumprindo leis, por que ela, Dilma, não veio antes, tomar atitude?

Se a Secretaria de Meio Ambiente do Estado diz que é o DNPM que deve fiscalizar as barragens, por que não cobrou antes? A propósito, alguém pode dizer algo positivo sobre esse tal Departamento Nacional de Produção Mineral?

Por que um deputado estadual não consegue entrar para a Comissão de Meio Ambiente da casa se não for simpático à causa das mineradoras?

Por que Virgílio Guimarães, símbolo do velho PT – aquele que patrulhava e prometia mundo novo – fez do filho um deputado federal, o colocou no comando da comissão que enrola o Código Mineral e ele, Virgílio, continua nos bastidores, ao melhor estilo “coronel”, como era conhecido nos tempos de vereador? Alias, como pode o PT patrocinar um projeto que quer acabar com o pouco de controle que a sociedade ainda tem sobre o licenciamento das atividades minerais no Estado?

Por que as autoridades têm dado entrevista sempre dentro da sede da Samarco em Mariana?

Por que a gente chama o maior desastre ambiental com barragens que o mundo já viu de acidente se o que aconteceu em Bento Rodrigues foi resultado de décadas de omissões, conchavos, equívocos e falta de respeito à vida humana?

Aliás, por que o prefeito de Mariana insiste em falar nos riscos se perder os impostos da Samarco quando centenas de seus vizinhos e eleitores perderam amigos, parentes, animais, documentos, enfim, perderam o chão, a história, o sentido da vida, o rumo, o prumo?

Será que quando um avião mergulha em cinco metros de terra com dois poderosos executivos de um grande banco não ensina que dinheiro e poder são moedas fugazes, enquanto a geleia de pimenta biquinha de Bento Rodrigues é vida em abundância? Afinal, quando é que a gente vai sair dessa lama?

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