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A indignação está de luto

A indignação está de luto

06/05/2013 às 02:13

A mais impressionante de todas as mulheres que entrevistei em mais de 35 anos de gravador em punho partiu desta vida para uma melhor. E foi sem realizar o sonho de se fazer justiça contra a destruição de sua família. Mas, deixou uma grande lição: se roubam nossa alegria de viver, então, que façamos da tragédia razão maior para lutar até o fim dos nossos dias. Dona Delizete Carnaúba era um arrazoado sem precedentes contra a impunidade que ameaça a estabilidade social do país e desfilava seus argumentos com incrível capacidade de coordenação das palavras, deixando-nos embriagados com sua convicção de que os responsáveis por seu sofrimento sem limites serão punidos um dia.

Em 5 de abril de 1996, morreram, de uma só vez, sua filha Adriana, de 31 anos, as netas Victória, de 03, e Theodora, de 7 meses, o genro Júlio César, de 32, e a tia Belinha, de 93. As vítimas estavam num fusca, que foi colhido por uma Blazer em alta velocidade na rodovia MG 126, no município de Bicas, na Zona da Mata. O carro era dirigido pelo empresário Ismael Lott, acusado de fazer um “pega” com o médico Ademar Cardoso. Desde aquela data e até a última sexta-feira, quando foi sepultada, Dona Delizete bateu em todas as portas, implorou em todos os tribunais, falou em todos os microfones e rogou a todos os santos por justiça.

A sua cobrança – sobretudo nos últimos anos – não se limitava a exigir cadeia para os assassinos, mas, sobretudo, queria advertir que não teremos futuro se o país continuar ignorando os acidentes de trânsito que resultam da irresponsabilidade de pessoas adultas e cientes do quanto o automóvel é perigoso. No caso da batida que levou a alegria de dona Delizete, o médico e o empresário eram pessoas influentes da região e queriam se mostrar, tanto que decidiram testar a potência de suas máquinas na estreita rodovia, até arrebentar com o fusca e as cinco pessoas. Mesmo com a intensa repercussão, com interveniências profissionais competentes como o promotor Francisco de Assis Santiago, até hoje os processos correm de tribunal em tribunal e os acusados continuam impunes.

Dona Delizete se foi, mas sua jornada não foi em vão. Todas as vezes que a gente tiver a oportunidade de brigar pela punição dos irresponsáveis no trânsito ela estará conosco. E, agora, seguramente terá a paz que todos sonhamos - especialmente o médico Ademar e o empresário Ismael.

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