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A hora do espanto!

Mesmo para quem já viveu dezenas de planos econômicos, conheceu o auge do Delfim, a fúria do general Figueiredo, a conversa mole do Tancredo...

27/11/2015 às 03:55

Mesmo para quem já viveu dezenas de planos econômicos, conheceu o auge do Delfim, a fúria do general Figueiredo, a conversa mole do Tancredo, a cara de pau do José Sarney e o faz de conta do Lula, essa semana não foi mole. Ainda que você, assim como eu, esteja perto dos 60 e já tenha passado por dezenas de planos econômicos, escutado promessas da terra prometida e se orgulhe de ter conseguido sobreviver sem um padrinho forte, vai concordar que passamos de todos os limites! Mesmo se você também foi vítima do genocida Collor, perdeu gente querida com o confisco e a desesperança que ele espalhou – como eu, que perdi meu pai –, agora, os acontecimentos mais recentes, foram de amargar.

Essa semana não doeu só porque o senador foi preso e o partido que prometeu ser diferente durante décadas foi exatamente o que queria soltá-lo. E nem porque um banqueiro festejado pelos poderosos foi flagrado dentro do crime organizado. Ou o advogado que recebe quatro milhões de reais para ajudar o cliente a se safar, do jeito que for possível. Os últimos acontecimentos foram traumáticos porque tudo o que a gente já sabia, mas, por falta de prova, evitava falar, agora se sabe é verdade, pobre, indecente e nojenta. A maioria dos ricos brasileiros chegou lá grilando terras, escravizando homens livres, armando negociatas e sonegando impostos; a maioria dos políticos brasileiros tem convicção de que feio é perder eleição... No mais, vale tudo! Tudo mesmo! Os advogados mais festejados são (quase sempre) os que defendem clientes mais envolvidos em chacinas, crimes de mando, roubo escancarado do dinheiro público e – impressionante – os que nos dão mais enjoo. No caso de Minas é pior porque os dois mais paparicados foram flagrados recebendo como funcionários públicos e advogando contra o erário. Com os episódios dessa semana a gente descobriu que, além de chegarem lá por via dos acordos e arranjos, os ministros das nossas mais altas cortes não conseguem – na maioria – inspirar a confiança que devíamos ter neles. A prisão de Delcídio escancarou a verdade de que a conversa entre quatro paredes não combina com o discurso da probidade e a expressão “cidadão de bem” carece de profunda discussão sociológica ou deve ser suprimida do nosso vocabulário até que se defina quem realmente é.

A gente já sabia, por Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre, Darcy Ribeiro e outros brasileiros de verdade, que nossa pátria começou com a chegada dos europeus que mataram os índios, violentaram as índias e escravizaram os negros e nunca mais deixou de ser um lugar onde meia dúzia é sustentada e os demais cuidam da sustentação. Meio milênio depois, o desembargador continua cuidando do filho e do genro, o jornalista pede emprego para o irmão ou a filha, o engenheiro discute a diminuição do cimento na composição do concreto e o médico tem empregos que não combinam com as 24 horas do dia...

Mariana, Samarco, Delcídio, Cunha, Renan, BCP, Vale... Minha caçula vive falando em ir embora e estou começando a concordar...

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