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A 'Lei de Gerson' ameaça nosso Natal

A gente quer abraçar, confraternizar, desejar dias melhores, mas, infelizmente, há sempre a turma que estraga prazeres

17/12/2018 às 08:48

Divulgação ALMG

Sabe o tal “espírito natalino”, que nos convida a ter mais calma, paciência e solidariedade em relação aos que nos cercam nesta época do ano? A gente quer abraçar, confraternizar, desejar dias melhores, mas, infelizmente, há sempre a turma que estraga prazeres. Aquelas discussões caseiras, os entreveros de família e as diferenças no ambiente de trabalho a gente até consegue resolver. Agora, nos bastidores do poder o que fazem no mês de dezembro parece de propósito para estragar nossas festas.

Nas casas legislativas, é uma festa. Aproveitam que estamos de olho no Papai Noel, usam projeto de lei inocente para colocar emendas disfarçadas de pouca importância, mas de endereço certo: sempre privilegiando quem já está em melhor situação. Nossa assembleia já garantiu auxílio-saúde de R$ 2,5 mil para os membros do Ministério Público, aumento para servidores do Judiciário e agora trabalha para aprovar um fundo muito esquisito para ajudar o governador. Mas o salário de dezembro e o 13º ninguém sabe sequer quando vai sair (para os que ganham pouco, é claro). 

A mais nova dessas medidas que beiram o inacreditável foi publicada no último sábado (15) no Diário Oficial do Estado. O governador assinou decreto que institui órgão consultor do Conselho Superior da Polícia Civil, que “será composto por aqueles que tenham exercido o cargo de Chefe da PCMG, pelo interstício mínimo de dois anos, e que não tenham preenchido os requisitos legais para a aposentadoria quando exonerados do cargo”. Estes integrantes do tal órgão consultor somente poderão exercer outras atribuições, cargos, encargos ou funções em casos de “mobilização geral”.

Traduzindo: o atual chefe da Polícia Civil, cujo nome a maioria absoluta dos mineiros desconhece e que foi o quarto ou quinto neste governo que agoniza, aos 44 do segundo tempo conseguiu emplacar uma lei sob encomenda para garantir que, a partir de janeiro, não volte a uma delegacia para trabalhar. Isso mesmo: a polícia reclama o tempo todo de falta de pessoal, mas muitos de seus caciques querem ficar em posto perto do poder, sem lidar com a atividade-fim, encarar bandidos, cumprir o dever... E o chefe dá o exemplo, arranjando um jeito de ficar à toa. 

Tem base um negócio desses?

Será que o Zema não vai anular esse decreto logo depois da posse?

É impressionante como os engravatados tratam a coisa pública como se ela não tivesse dono. Se estão perto de perder a boca, juntam tudo o que é possível de vantagens, privilégios e outras garantias e trazem para a toca, como se fossem bando de hienas que se preparam para hibernar, até que tenham outra chance de avançar sobre a carniça da máquina pública. 

Devo ser um idiota por gostar tanto do meu trabalho e não sentir prazer na vadiagem. 

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