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A gente devia discutir a seca

Vale uma revisão histórica para lembrar os períodos mais críticos.

26/01/2015 às 09:00

Períodos de estiagem sempre existiram, porém, as pessoas não estavam tão juntas como hoje. Então, me pergunto porque não estamos discutindo mais a iminente falta de água na maioria das capitais brasileiras. Assim como a violência (que, enquanto afligia só os pobres, não era problema nacional) a escassez do líquido essencial à vida estará batendo às portas de todos, indistintamente, e a gente continua fazendo de conta que o problema é lá do Oriente Médio.

Vale uma revisão histórica para lembrar os períodos mais críticos. Entre 1723 e 1727, a falta de chuvas no Nordeste associada a uma peste causou enorme mortandade nas populações mais frágeis. Cinquenta anos depois, nova estiagem, agora combinada com varíola, causou taxa de mortalidade altíssima, não só de pessoas, mas também de animais, especialmente o gado. A coroa portuguesa teve de distribuir terra aos flagelados. Um século depois, portanto em 1877, todo o Nordeste, mas, principalmente o Ceará, sofreu grandes perdas, a morte de 500 mil pessoas e a migração de quase 200 mil para a Amazônia e outros estados. 

A sina do Nordeste voltou a assombrar ao final da segunda década do século passado, o governo federal fez mais promessas e a vida seguiu seu curso. Pouco mais tarde, na década de 30, finalmente entenderam a seca do Nordeste como problema nacional, provavelmente porque também estados poderosos, como Minas e São Paulo foram afetados. Mais três décadas e nova estiagem gravíssima, afetando várias regiões e novas promessas... Em 1981, lavouras perdidas, animais mortos, saques à feiras e armazéns por uma população faminta e milhões de mortos... De novo, no Nordeste os maiores estragos, sempre retratados por artistas do porte de Luiz Gonzaga e Catulo da Paixão Cearense. 

Recentemente, novos períodos de sufoco no finalzinho do século XX e, neste milênio, o quadro só piora, com o Rio São Francisco sofrendo horrores, ameaças seguidas de racionamento de energia, incêndios como nunca se viu e populações urbanas desesperadas.
Na minha cabeça, estaríamos hoje todos nós envolvidos numa grande discussão, buscando alternativas, promovendo campanhas educativas, nos preparando para situações emergenciais. Estamos todos ainda em Cancun, Cabo Frio... Quem sabe se em fevereiro... Ou, depois do Carnaval.

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