Eduardo Costa

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A folia, o sagrado e o profano

04/03/2019 às 11:25

Quando chega o Carnaval é inevitável falar do tema. O dicionário define profano como algo “não pertencente à religião”, “não sagrado”, “secular”; enquanto que sagrado é algo “concernente às coisas divinas, à religião, aos ritos ou ao culto”, “inviolável” ou “santo”. Mas, para os povos antigos, a religião era a razão da vida, manifesta na procriação, no plantio, em tudo. Portanto, só havia sagrado. Com o tempo, sentindo perda de terreno, a Igreja pediu aos fiéis que se afastassem da folia, para ela recheada de excessos, libidinagem, falta de respeito às leis divinas. Profano. No começo desse século, a arquidiocese do Rio foi à justiça para impedir que imagens religiosas fossem exportas em carros alegóricos. 

Mas, já àquela altura, a igreja, que não queria as imagens junto a dança, tinha levado a dança e as músicas mais animadas para seus templos, pelo carisma de padres e pastores como Marcelo Rossi e Silvio Maia.     E, em duas décadas, a igreja – especialmente a católica – perdeu mais força na defesa da exclusividade do sagrado porque a religião está na empresa, em casa, na rua, em todo lugar. Está também na linha de frente da festa de momo: no domingo, jovens entre 15 e 30 anos se ajoelharam, fecharam cruzamentos na Savassi saudando a todos e convidando os foliões a aceitar Jesus e compartilhar o amor.

Em verdade, a origem do carnaval remonta à Antiguidade. É tão antigo que ninguém sabe ao certo como nasceu. Tudo indica que as raízes de nossa folia foram plantadas em festas populares anteriores à era cristã.

Com há o antigo ditado “antiguidade é posto” que ninguém se meta a ditar regras no carnaval. Que nenhum oficial desvairado proibia manifestação política e nenhum religioso venda dizer que fantasias ou pouca roupa são contra a vontade de Deus. Tristeza papai do céu tem é de ver a luta de Francisco, o Papa, contra bispos pedófilos; o que machuca o coração de Jesus é saber que Lula, o homem que podia ter mudado o país, fez tudo tão errado que precisou de licença para velar o neto no Carnaval. Ah, pior é o vereador-pastor e seu ódio sem limites diante da dor do condenado que, para ele, não devia ter o direito – garantido por lei e de acordo com os princípios bíblicos. 

Entre o sagrado e o profano, amor acima de tudo e Deus acima de todos, nos perdoando por usar seu santo nome em vão. 

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