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A família é a única saída

A família é a única saída

Por conta da profissão, todo mundo acha que sou especialista em encontrar saídas. Onde quer que eu vá, há sempre um rosto irrequieto e a tradicional pergunta: Onde vamos parar? As pessoas sabem que o repórter (especialmente o de rádio) perpassa por todos os dramas do cotidiano, desde a corrupção que não cessa no gabinete até a viagem de volta dos drogados, passando por “crimes por amor” praticados por ciúme doentio e uma animosidade crescente e assustadora no trânsito. O que essa gente não captou é a verdade dita por Stanislau Ponte Preta meio século atrás: "Nós, os jornalistas, falamos sobre tudo sem saber de nada". Ou, melhor, tratamos de tudo de forma superficial, até porque com o volume de informações que o mundo produz por segundo não há quem viva da notícia capaz de resolver a equação de profundidade com quantidade. Então, na falta de capacidade e tempo para descer a detalhes sobre o que penso diante de tanta barbaridade (mais o medo de estar equivocado), procuro o caminho mais honesto e fácil – afinal, ninguém discute que a família está degradada, esfacelada e até desmoralizada. É isso... Chegamos a um ponto tão perplexo no país, com o crescimento econômico distanciado da paz social, que temos de apelar para a família. Repare só se todas as mazelas não dizem respeito a essa união abençoada de pais e filhos que Deus criou. O tempo corre demais, televisão e internet roubam a atenção, a luta pela sobrevivência esmaga a conversa, a convivência passa a ser de apenas um “oi”. Então, caras debutantes, noivas, cadetes, enfim, jovens do meu país, valorizemos a família e apreciemos a alegria de ser mãe descrita por Clarice Lispector: “... Quanto aos meus filhos, o nascimento deles não casual. Eu quis ser mãe. Meus dois filhos foram gerados voluntariamente. Os dois meninos estão aqui, ao meu lado. Eu me orgulho deles, eu me renovo neles, eu acompanho seus sofrimentos e angústias, eu lhes dou o que é possível dar. Se eu não fosse mãe, seria sozinha no mundo. Mas tenho uma descendência, e para eles no futuro eu preparo meu nome dia a dia. Sei que um dia abrirão as asas para o vôo necessário e eu ficarei sozinha. É fatal porque a gente não cria os filhos para a gente, nós os criamos para eles mesmos...” Não nos preocupemos se criar filho custa caro ou exige muita dedicação; é só amar que o resto se resolve com o tempo. E também não é motivo para pânico o fato de tanto o pai quanto a mãe, na vida moderna, terem de estar fora de casa o dia inteiro porque está provado: o que importa é a qualidade e não a quantidade do relacionamento. Se a gente escolher uma hora – quem sabe alguns minutos – todo dia para conversar em família papai do céu cuida do resto.