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A esperança venceu o medo

A esperança venceu o medo

Em meados da década de 80, do século passado, desesperado com o que via, ouvia e assistia, propus aos meus superiores na Rádio Itatiaia que a gente fizesse uma pesquisa mensal de preços em três supermercados. Era uma forma honesta e simples de a própria rádio informar aos mineiros a evolução espantosa dos preços. Parece que está longe, mas foi ontem. E tinha um preço pela manhã, à tarde outro e, quando a loja fechava, no começo da noite, a máquina de remarcar já estava fazendo seu infernal barulho.

Pedi agora ao Feliciano Abreu, do site MercadoMineiro.com.br. para fazer uma pesquisa da evolução de preços de produtos muito demandados nos últimos dez anos. O resultado confirma o sentimento generalizado: para uma inflação de 91,14%, tivemos reajuste de 211% no salário mínimo. O dólar, acreditem, ficou 22% menos valorizado em relação ao real. Se o dólar caiu, a gasolina e o etanol tiveram aumento menor que a inflação. Vários produtos também tiveram reajustes inferiores, como pão francês, pão de forma, margarina, arroz, leite integral, peito de frango, detergente em pó, creme dental e macarrão. Mesmo os medicamentos, alguns dos mais usados, foram freados por uma nova ordem na economia: o capoten subiu 95,69%, o lexotan 95,28% e o tylenol sofreu reajustes de 58,39%, esse último, portanto, bem abaixo da inflação.

Claro que ainda existem números preocupantes, como no caso do feijão carioca (218%), do açúcar (242%), a comida a quilo tão em moda (199,79%) o  café, óleo de soja, carne bovina, abacaxi, laranja pera e sabonete. Mas, no geral, podemos bater no peito e, sem ufanismo, sabedores de que muito está por fazer, comemorar um tempo novo em que há um mínimo de ordem nos preços. É só verificar que o ônibus azul, o mais demandado, subiu 103,85% , ou seja, superior ao índice inflacionário, mas, compatível com a alta da inflação e em especial dos salários.

Portanto, sem baixar a guarda, vamos render graças a Itamar, FHC, Lula e Dilma torcendo para que ela, a nossa presidente, continue batendo de frente contra os banqueiros e exigindo a queda dos juros. Nossos filhos com menos de 20 anos provavelmente não acreditam que já vivemos aquela ciranda inflacionária e é nosso dever garantir que nunca mais nossos netos saibam do que estamos falando.