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A era do faz de conta

Este é um daqueles textos cuja publicação irá contrariar muita gente, pode provocar reações iradas e até causar nos leitores mais apressados a...

20/06/2016 às 03:28

Este é um daqueles textos cuja publicação irá contrariar muita gente, pode provocar reações iradas e até causar nos leitores mais apressados a sensação de que repórter é insensível ao sofrimento dos mais humildes. Mas, se o profissional quer respeitar a própria história, ele precisa dizer o que sente e acordar as autoridades para providencias indispensáveis à ordem pública, da qual estamos tão carentes neste começo de século.

Nesta segunda-feira, 20, três exemplos me levaram à reflexão que faço agora, na esperança de que você, leitor, possa também discutir, em casa, na escola, no trabalho, questões que estão aí, latentes, a exigir uma atitude nossa.

Exemplo 1 – Mais de 300 policiais militares, oficiais de justiça, agentes da Defesa Civil, técnicos da Prefeitura e dezenas de outros servidores públicos colocaram-se em posição de ataque para desocupar uma área pública no Bairro Copacabana, Região Norte de Belo Horizonte. E eu, vendo a imagem pela TV, disse aos colegas: “Não haverá desocupação”. É que, antes de os tratores avançarem, haveria a tradicional parlamentação e, claro, chegariam a um consenso de adiar. Não sei se é certo ou errado, não estou discutindo... Conheço a tristeza dos que não têm um teto para os filhos, a indignação dos que se veem cercados por ocupações desordenadas que pioram a qualidade de vida em bairros consolidados e, principalmente, conheço a indiferença de nossas autoridades. Elas não têm planos de habitação, não impedem as invasões e não aparecem na hora de resolver... Não têm coragem, não querem resolver. Mandam a polícia. Se der certo, tudo bem; se der algo errado, a culpa é do tenente que está lá, na ponta.

Exemplo 2 – A Rede Record mostrou mais uma interdição de rodovia em Minas. Desta vez, foi no trevo do Bairro Água Branca, perto do Bairro Pindorama. Pelas imagens aéreas contamos 27 pessoas. Vinte e sete pessoas fecharam uma rodovia que liga Belo Horizonte à Região Central, aí incluídas cidades como Pedro Leopoldo, Esmeraldas, Sete Lagoas, Curvelo, Corinto, mais o Norte, o Jequitinhonha, o Noroeste, a capital Brasília... A indignação dos manifestantes é compreensível – uma senhora foi atropelada e morta no local; a revolta deles é humana, afinal, se não gritarem não serão ouvidos... Ou alguém acha que o DNIT, responsável pela rodovia, está preocupado? Mas, insisto, 27 pessoas não podem fechar uma rodovia, impedindo a chegada de alimentos à Ceasa, levando pessoas a perderem voos, trabalho, escola, gente doente que perde exame, consulta, não é aceitável que algumas dezenas parem centenas de milhares... Afinal, a democracia não é do povo, para o povo e com o povo? E a nossa liberdade não termina onde começa a dos outros?

Exemplo 3 – A Rádio Itatiaia fez matéria com denúncia de moradores em situação de rua de que a prefeitura está tomando seus cobertores. Eu não sou insensível para ignorar o quão desumano é alguém ficar na rua nestas noites de inverno. Mas, no lugar da simplicidade de exigir respeito ao pobre, por que não discutimos seriamente o assunto? E isso inclui levar essas pessoas para os abrigos... É isso! A prefeitura tem abrigos, tem restaurante popular, então, não devemos dar cesta básica, cobertor ou qualquer coisa que estimule a vida na rua. Ah, mas todo mundo tem direito de ir e vir... É verdade; dormir não! Se instalar, com fogão, barraca, colchão; fazer sexo, xixi e cocô não! Há de se respeitar o direito deles e o de todos os outros cidadãos, especialmente os que querem usar as praças, as calçadas e só encontram dissabores... Um amigo, recém-chegado de São Paulo, foi comer um sanduíche na lanchonete mais famosa da Savassi e, lá dentro, na boca do caixa, se sentiu intimidado por um marmanjo que queria forçá-lo a pagar um lanche. Diante da insistência, perguntou ao segurança da loja se não tomaria providência. E o guarda respondeu: “Não posso fazer nada”. Se o cliente fosse reclamar na rua, com polícia, encontraria a mesma resposta.

Quem aguenta? Por que há tanta omissão? Por que nossas autoridades só pensam nos efeitos de suas ações e o que elas podem repercutir nas eleições, ano sim ano não? Estou politicamente incorreto, sou um filhote da ditadura ou vivemos um vale tudo na cidade? É terra sem lei? Ou não?

Por que ninguém quer perder voto, ainda que o imobilismo destrua todas as nossas noções de ordem pública?

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