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A eleição não acaba!

Talvez não tenha assimilado até hoje a essência da democracia. Afinal, os mais animados (ou demagogos?) dizem que eleição só faz bem, devia ter todo ano, etc.

Talvez não tenha assimilado até hoje a essência da democracia. Afinal, os mais animados (ou demagogos?) dizem que eleição só faz bem, devia ter todo ano, etc. Mas, ainda que procure insistentemente, não vejo razões para essa história de irmos às urnas ano sim, ano não. O problema não é só essa rotina, mas, seus efeitos cascatas. Agora mesmo acabamos de sair de uma eleição renhida, que mobilizou o país, mexeu com nossos nervos e nossas neuras e, quando a gente acha que os nossos representantes vão trabalhar, eis que a reeleita vai descansar na Bahia não antes de ser contrariada pelo presidente da Câmara dos Deputados que, irado pela perda da eleição em seu Estado, resolve derrubar a proposta de conselhos populares que era, no mínimo, uma experiência de democracia participativa. A propósito, depois desse voto de vingança, sabe qual é o assunto principal na Câmara e no Senado? Eleição das mesas diretoras.

Sabe qual é o assunto reinante na nossa Assembleia Legislativa? A eleição da mesa diretora... Aí, os partidos que ganharam - PT e PMDB - brigam como urubu na carniça pelos melhores cargos... Aliás, essa é a hora mais perigosa naquela casa, pois, os que perderam vão tentar passar os projetos mais esquisitos ao apagar das luzes... Um dos inexplicáveis já chegou: o governo está diminuindo o número de praças para criar mais cadeiras de oficiais. Tanto na PM como nos Bombeiros. É isso mesmo! A gente já não tem soldado em lugar nenhum, os bombeiros não estão em mais que 20 cidades de Minas e o governador quer aumentar o número de chefes... É ou não é brincadeira?

Mas, voltemos às eleições. Sabe o que a Câmara Municipal está discutindo com mais vontade? Eleição da mesa. Eles ficam agora até o Natal entre as conversas sobre quem fica com os melhores cargos (e o direito de nomear mais afilhados) e a votação de projetos perigosos... Um deles é do prefeito aumenta as alíquotas do ITBI – Imposto de Transmissão de Bens Intervivos e do ISS – Imposto sobre Serviços... Quer dizer, o cidadão não dá conta de pagar tanto imposto, tem de bancar a própria saúde, educação, segurança e tudo o mais e o que faz a Prefeitura? Mais imposto. 

Aliás, a PBH está fazendo outra coisa que me dá coceira: essa iniciativa de isentar multas, juros e correção para os devedores é prêmio para os maus pagadores, infelizmente uma de nossas históricas mazelas. O que fazem os vereadores? Nada. São incapazes de pensar, por exemplo, em projeto que transfira o recebimento do IPTU para outros meses do ano, para não arrebentar o cidadão em janeiro. Até o fim do ano o Congresso espera aumentar os salários de seus eleitos, no que será seguido pelas assembleias e câmaras municipais do país inteiro. Depois, todos eles vão pensar na eleição de 2016... A reforma política? Bem, a Dilma quer plebiscito, o Renan quer referendo e, de verdade, nada vai mudar prá valer porque não convém a essa turma que está no poder, de pai prá filho, neto e genro desde 1500.