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A eleição escancara nossa hipocrisia

O fato de ter apenas 18 mil votos como candidato a deputado federal não decepcionou o humorista Geraldo Magela.

08/10/2014 às 11:00


 O fato de ter apenas 18 mil votos como candidato a deputado federal não decepcionou o humorista Geraldo Magela. Na verdade, já imaginava que sem dinheiro e máquina partidária poderia não obter sucesso, mas, como experiência, tentou e não se arrepende. O que dói é uma pergunta que viu na internet: “O que esse cego vai fazer em Brasília?” O internauta não sabe que a diversidade é a beleza da vida, que os portadores de deficiências devem ter representação no legislativo; melhor, não sabe sequer o poder do “ceguinho” mais querido do Brasil, que faz shows no exterior, encanta plateias onde quer que esteja e vive com agenda lotada de convites.

A chateação do “ceguinho” serve apenas para falarmos de algo grave que insiste em travar o nosso crescimento enquanto nação: o preconceito. É impressionante como a gente finge que está tudo bem, mas, ao menor sinal de incômodo, desanca a falar mal dos outros, preferencialmente desfilando  adjetivos ofensivos. Agora mesmo estamos lendo que a eleição presidencial gera nova onda de comentários racistas nas redes sociais e, mais uma vez, tendo a população do Norte e do Nordeste do Brasil como vítima. Eleitores de outras regiões do país usaram o Twitter e o Facebook para culpar os cidadãos dessas regiões pelos problemas que o Brasil enfrenta. O grande volume de críticas deu origem inclusive a uma página – “Esses Nordestinos” – que reuniu diversos posts repletos de ódio e discriminação. Alguém separa o Nordeste desse país, por favor?”, dizia uma mensagem. “Só aqueles nordestinos malditos que votam na Dilma, nossa! Espero que nunca mais chova lá. Seca para sempre”, publicou outra pessoa. Somente em uma semana (do dia 28 de setembro ao dia 5 de outubro deste ano), 2.080 denúncias envolvendo 645 páginas com menções racistas, homofóbicas e xonofóbicas foram registradas pela ONG Safernet Brasil.

Às vezes, passo perto de madames que dizem frases do tipo “como podem votar naquela mulher que tem cara de empregada doméstica?”. E, assim como no caso do idiota que critica o ceguinho, fico me perguntando se uma dessas dondocas que passam a vida mantidas pelo marido rico conseguem imaginar pelo que passaram pessoas como Marina Silva ou Dilma Roussef para chegar aonde estão. Fico arrepiado de ver como os mais estudados, os mais brancos, os mais ricos e poderosos, têm pavor da chegada ou permanência de alguém que não tem origem tradicional ao poder. E, também, me vejo perguntando porque estamos tão intolerantes. Estava na fila para votar no domingo quando um jovem dizia um monte de asneiras à namoradinha, incluindo, claro, sua confissão (como a de todo analfabeto político) de que não vota em deputado, que são todos corruptos, etc... De repente, uma senhora chegou e se colocou em posição de ganhar a sala para votar; foi interpelada por ele, porque  não enfrentara fila. Espinafrei com ele, lembrando-o de que os deputados nos quais ele não votou fizeram uma lei para beneficiar pessoas idosas, como aquela brasileira, a mãe dele, a avó dele e, quem sabe, até ele, se não morrer moço contaminado pelas ideias fracas.

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