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A diferença entre o hoje e o amanhã

A diferença entre o hoje e o amanhã

Os grandes estudiosos do comportamento humano têm insistido que vivemos a época do imediatismo, na qual todos nós queremos a fama, ainda que instantânea, precisamos consumir para ficar felizes e não conseguimos pensar muito no amanhã. E há explicações. No plano econômico, por exemplo, a maioria de nós não consegue planejar, fazer poupança, considerando que vivemos décadas de inflação escandalosa, planos mirabolantes e muitas promessas até que, em 1994, encontramos um novo caminho de relativa estabilidade. Estávamos tão acostumados ao aumento de preços em 30, 50 por cento em um só dia que quando aparecia um dinheirinho a gente corria para o supermercado para comprar algum produto indispensável e armazenar.

Hoje, quando nos oferecem algo a 2 por cento ao mês, adoramos, ignorando que a inflação anual é da ordem de 5 por cento. E, quando vamos comprar a geladeira ou o fogão novo não pensamos no acréscimo que a opção a prazo vai implicar, mas se podemos pagar a prestação. Quase ninguém que as grandes redes – especialmente as de eletrodomésticos – ganham muito mais com os juros que na transação comercial. Assim, nos encrencando no cartão de crédito, no cheque especial, enfim, nos afundamos em dívidas. A gente não sabe sequer usar o celular falando apenas o essencial.

Mas, o que eu queria dizer mesmo é sobre a diferença com que tratamos as categorias profissionais. Os policiais militares ameaçaram com um movimento mais forte e ganharam reajustes que colocam hoje o piso de R$ 2.320,00 e garantia de novos aumentos já na lei aprovada pela Assembléia. Agora, essa semana, os rodoviários fizeram dois dias de greve e conseguiram uma nova proposta que, embora não a ideal, pelo menos é quase o dobro da inflação anual.

Eu pergunto: você se lembra da greve dos professores da rede estadual de ensino, que durou quatro meses? Lembra-te da principal reivindicação deles? E percebeu rebuliço na população? Não é esquisito que a gente não suporte uma paralisação de motoristas e trocadores por dois dias, mas, conviva tranquilamente com o fechamento das escolas por 120 dias? É claro que o transporte coletivo mexe com os nervos da cidade, impede as pessoas de irem ao trabalho, à escola, atrapalha o comércio, prejudica a indústria, enfim gera muitos prejuízos. Mas, se olharmos para o amanhã, a educação descontinuada, desmotivada não é muito pior? Por que a gente só olha para o agora? Ou melhor, para o umbigo?