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A culpa é do repórter

Em tempos de intolerância jamais vividos no Brasil, é natural que muitos atribuam à mídia a culpa por seus dissabores. Também acuso...

17/05/2016 às 03:56

Em tempos de intolerância jamais vividos no Brasil, é natural que muitos atribuam à mídia a culpa por seus dissabores. Também acuso alguns veículos de torcerem despudoradamente por um lado ou outro e, às vezes, nem é a postura do dono da empresa, ou seja, a linha editorial, mas o fato de ele permitir que reacionários usem microfones, câmeras e tinta para destilar ódio, desfilar preconceitos e impedir avanços. O que não aceito é a nova modalidade de esporte praticado durante as manifestações - a “caça ao repórter”. É impressionante. Onde há um grupo de pessoas, principalmente se estiverem com bandeiras vermelhas, há sempre dez ou 20 vândalos se julgando no direito de agredir jornalistas, cinegrafistas ou fotógrafos.

São os covardes de sempre, que não procuram os comunicadores que os irritam para debater ou entram na Justiça contra o órgão de imprensa buscando reparações. São os engraçadinhos, que fazem firula ameaçando quem está apenas trabalhando o que, aliás, nem sempre se pode dizer de quem manifesta atualmente. Esses insanos não percebem que o repórter é tão gente como eles, sofre como eles, tem preferências clubistas e opções ideológicas que podem ser comuns, mas, no afã de se mostrar valente e indignado, saem ameaçando. No último domingo, foi a gota d’água para que eu exija neste espaço uma postura decente de quem pode evitar o pior. Enquanto é tempo.

Não basta que Beatriz Cerqueira, presidente da mais importante Central Única de Trabalhadores, apenas continue dizendo que lamenta. Ou Rogério Correa, o intrépido professor que grita por todo lado se gabar de evitar uma ou outra agressão. É preciso cessar o ataque e eles, que são quase sempre os comandantes dos atos e os que têm microfone e carro de som, têm de ser mais claros, incisivos, dizer aos idiotas que se misturam a brasileiros indignados que eles não podem agredir um repórter como se estivessem, assim, acertando o rumo das coisas no Brasil.

Lamento, profundamente, que a Polícia Militar continue indiferente, como se não fosse seu dever zelar pelo direito de quem precisa trabalhar. No caso de domingo, ação de alguns guardas municipais evitou o pior, mas, no lugar de dar proteção para que os jornalistas fossem embora, deveriam ter garantido a sua permanência... Parece essas histórias de aglomerados quando os traficantes decidem tomar um barraco e a polícia garante a mudança dos proprietários.

Alguém tem de dizer aos agressores sem causa que, se, eventualmente, um veículo como a Globo ou um de seus comentaristas fala bobagem lá no Rio de Janeiro não é justo espancar o primeiro trabalhador da empresa aqui em Belo Horizonte. Ou vamos estapear o carteiro sempre que o governo federal nos fizer raiva? Quem sabe, socar o gari se o prefeito não nos agrada?

Repórter não roubou o dinheiro da Petrobrás, não desempregou 11 milhões de brasileiros ou pedalou contra a responsabilidade fiscal. Da mesma forma, repórter nenhum que eu conheça está feliz com a assunção de Michel Temer ao poder... Repórter ganha 3 ou 4 mil reais por mês e está morrendo de medo de perder o emprego; afinal, a crise que petistas, tucanos, peemedebistas e outros “indignados” criaram chegou também às redações.

Fosse eu dono de empresa jornalística ou chefe de redação já teria determinado que as manifestações só serão cobertas com “notas”, isto é, a gente não deixa de informar, mas, também não prepara passarela para líderes de barro e covardes de ocasião aparecerem.

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