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A Copa dos excluídos

A Copa dos excluídos

No próximo domingo termina mais uma edição da Copa Itatiaia Brahma, o maior torneio de futebol amador do país. E esse é um assunto apropriado para o pessoal do esporte; a princípio... Se o olhar for direcionado para a bola. Quando analisamos as circunstâncias em que a competição é realizada e o público que envolve, dá uma bela história de jornalismo cidadão, para não dizer um tratado sociológico. Afinal, quando é que as pessoas se sentem mais juntas, mais firmes em um propósito coletivo? Quando, nessa cidade excludente, em que até o público de shopping center é definido de acordo com a região, há outra chance de pobres e ricos estarem no mesmo lugar, na mesma torcida? Você pode dizer: No Mineirão, Eduardo! Não. Lá, no Independência ou em outros estádios, os remediados ficam sempre nas cadeiras, longe da geral dos pobres. É assim em todas as atividades coletivas da cidade. É só reparar. Quando há um show de axé ou um réveillon, os organizadores logo tratam de criar camarotes e áreas vips para os “mais poderosos”. É só na Copa Itatiaia, seja no gramado da Frimisa ou na terra firme do Santa Cruz que os iguais correm no mesmo plano e as torcidas ficam lado a lado, do outro lado do alambrado. Quando existe alambrado. A Copa Itatiaia reúne 10, 12 mil pessoas de uma forma incrível: um time de Mocambeiro e outro de Betim vão jogar em Ibirité e o povo vai junto. Sem briga. Que Deus guarde Januário Carneiro, Lucinha Bessa e Carlos Cesar Pinguim – os pioneiros movidos a sensibilidade que fizeram o sucesso da promoção e mantenha a chama viva com os novos, para que a Copa nunca acabe. Ela realiza em um mês sonhos de uma vida inteira. É a síntese da “pátria de chuteiras”.