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A Copa chegou; a empolgação não!

Então, por que a gente não está feliz a poucas horas de um dia tão esperado?

11/06/2014 às 10:55

Ninguém ousa discutir a famosa frase de Nelson Rodrigues: “Somos a pátria de chuteiras”. Aqui, o futebol é mais que um esporte... Dizem até que a coisa mais importante entre as menos importantes. Então, por que a gente não está feliz a poucas horas de um dia tão esperado? Considerando que a maioria de nós não viu a Copa de 50 e não verá outra em solo brasileiro, por que as ruas não estão tomadas de bandeiras, roupas e adereços nas cores verdes e amarelas? Existem no mínimo um milhão de explicações, mas - com o devido lembrete de que sou apenas mais um palpiteiro - propõe esse modesto escriba a reflexão sob dois ângulos: a baixa na autoestima e a falta de liga entre os selecionados e os torcedores.

Primeiro, me incluo entre os que não veem os brasileiros indignados com a Copa, mas, com o nosso país, sem rumo, sem reformas, sem juízo e sem futuro animador. Não, não é uma crítica contra o PT, ou a presidenta Dilma; na verdade, estamos todos “por aqui” é com essa história de eleição de dois em dois anos, dentro de um sistema eleitoral viciado e a prática política voltada para a manutenção de privilégios. Até para conseguir um trator o prefeito tem de falar com a presidenta da República e, na hora de escolher os parlamentares que vai apoiar não opta pelo que pode defender a reforma tributária, mas, aquele que pode trazer alguma verba, uma obra, algo para iludir as massas e garantir reeleição de ambos.

Temos um ritual de passar o cargo no Congresso Nacional e nas Assembleias Legislativas de pai prá filho ou genro que é algo inacreditável. É um faz de conta que nos empurra de volta ao time dos subdesenvolvidos, quando a gente acreditava estar em outro patamar, sonhava com pleno emprego, estabilidade, enfim, uma vida sem tanto sobressalto. Converse hoje com o taxista, o frentista, o economista... Não há uma pessoa animada, acreditando que 2015 vai ser um ano bom. E isso no país da alegria, do alto astral. Estamos com medo de chegar a cara na janela.

Não bastassem nossas tristezas, tem uma verdade incômoda: a falta de vínculos efetivos e afetivos com a maioria dos jogadores com a torcida mais empolgada do mundo. Quando excluímos Vitor, Jeferson, Fred e Jô não há qualquer jogador de Felipão defendendo clube brasileiro. Alguns, como Davi Luís, Hulk, Daniel Alves, Maxwell e Luís Gustavo a gente sequer viu jogar em gramados brasileiros antes de se tornarem famosos. Pense um pouco na seleção de 70, para não retroagir a 58 ou 62: Pelé, Tostão, Piazza, Clodoaldo, Jairzinho, Gerson e todos os outros eram adorados em seus clubes e, quando seguiram para o México, levaram outro tipo de afeto, de vibração... Um deles, Dario, era tão estimado que o general de plantão exigiu sua convocação. Sou daqueles que acreditam na corrente positiva e, como não há liga, paixão, admiração entre torcedores e jogadores esta pode ser a razão de tanto desânimo. Ah, e isso pode ser fatal porque uma Copa não oferece tempo para namoro e noivado antes do casamento.

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