Ouça a rádio

Compartilhe

A clandestinidade está no ar

A clandestinidade está no ar

É inesgotável a capacidade que o brasileiro tem de burlar a lei, sonegar impostos e prestar serviços não regulamentados sem ser incomodado. Vejamos agora a queixa do Sindicato Nacional das Empresas de Táxi Aéreo de que há companhias clandestinas captando clientes em pleno saguão do aeroporto para vôos não programados. Como era de se esperar – por sua história de omissão e incompetência – a Agência Nacional de Aviação Civil diz ter conhecimento do assunto, mas que é difícil punir os responsáveis porque, quando há o flagrante, os próprios fregueses tratam de negar a contratação do vôo, alegando que estão apenas “pegando carona”. Já pensou amanhã ou depois a gente chegar à Pampulha e ouvir aquele monte de homens gritando como se estivessem na Praça da Rodoviária algo assim: olha aí, vôo rápido para Ipatinga, só 20 reais! A clandestinidade existe nas imediações de nosso terminal rodoviário porque há viagens mais rápidas e baratas para todo o Estado, ainda que com alguns itens de segurança a menos. Se já há oferta de vôos fora da rota nos nossos aeroportos, a ANAC poderia prestar um grande favor ao país analisando o quadro de horários e os preços das passagens para, quem sabe, oferecer serviço e custo melhores aos usuários de sorte que possam continuar no transporte regular. Ônibus ou avião clandestino é como prostituição: só existirá se houver clientela, gente interessada. E quem se submete a algo não regulamentado, com todos os riscos, só o faz quando as vantagens superam os perigos. Portanto, se a clandestinidade está no ar, se a pirataria está nas ruas e o jeitinho brasileiro reina livre, leve e solto, por que a gente não constrói outro país?