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A cidade fala

Uma das frases que mais mexem com meu imaginário é a que garante: as dores nada mais são que a manifestação do que se passa pela alma, através do corpo

04/03/2014 às 11:45

Uma das frases que mais mexem com meu imaginário é a que garante: as dores nada mais são que a manifestação do que se passa pela alma, através do corpo. Como dizer que não, se as pessoas mais estressadas estão mais propensas a infarto e outras doenças cardíacas? Como não associar a ocorrência de uma grande perda e uma depressão aguda, sofrida, que pode se virar a síndrome do pânico e remeter a pessoa para o fundo do poço?  Tanto é verdade que o bom médico ouve o paciente; o doutor experiente fica mais atento no que lhe diz o doente e só busca exames para confirmar diagnóstico. Assim também são os animais. Você sabe quando uma galinha vai parar de botar ou quando a vaca entrará no cio... É só conhecer bem sua criação.

A cidade também é assim. Belo Horizonte está reclamando do calor há três décadas. A cada ano, quando chega o verão, avisa que está sofrendo mais. Da mesma forma que tem nos advertido para a impermeabilização cada vez maior, sufocando seu solo, o que resulta em enxurradas mais fortes e mortes nas áreas baixas. Querem ver o exemplo mais atual de que a capital dos mineiros fala? O Carnaval. Desde os anos 80, quando Maurício Campos deixou a Prefeitura e seus esforços para fazer um desfile realmente empolgante foram ignorados, tenho defendido que não devemos sonhar em rivalizar com as escolas cariocas ou imitar os trios baianos. Podemos sim ter as nossas agremiações na avenida, prestigiando os que labutam o ano inteiro por alguns minutos de glória na passarela. Até porque existe sim público, considerando a carência de espaços de lazer para a maioria da população.

No entanto, defendo que a Prefeitura deve dar cada vez mais atenção aos blocos, estes que nascem na rua, no condomínio, no trabalho. E não é preciso liberar verbas, criar estruturas, burocratizar. É só o essencial: exigir planejamento de desfile, liberar banheiros, providenciar policiamento, criar o clima para que as pessoas se encontrem. Ao contrário da velha mística de que quem não quer carnaval deve vir prá cá, se continuarmos no caminho que estamos em breve teremos uma verdadeira alternativa. E poderemos fazer uma propaganda institucional mais ou menos assim: “Espetáculo é no Rio; multidão é em Salvador, mas, confraternização, é em Belo Horizonte”. Ou não é isso que acontece com nossos blocos e suas famílias, seus amigos todos num só embalo, rua a fora, deixando a alegria rolar?

A cidade fala. Se a gente ouvi-la, caminhar por ela, a gente pode entender qual é a mobilidade mais adequada, dependendo da região; o jeito mais simples de evitar doenças, mortes...  A propósito, há algum tempo a Pampulha de JK e Niemeyer está avisando que as capivaras não combinam com o jardim de Burle Marx. Agora que há possibilidade real de um carrapato estrela estar se aproveitando de nosso imobilismo para transmitir febre maculosa por lá, ficamos assustados. Alguém duvidava que capivara não devesse ficar ali, se reproduzindo numa velocidade espantosa e inversamente proporcional à nossa lerdeza administrativa?

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