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A ceia santa

“Incomoda-me mais o caráter bizarro do fato que a ousadia dos bandidos”

28/03/2014 às 12:52

Sabedor de como seria embaraçoso explicar, o governador do Estado foi logo avisando, na segunda-feira, horas depois da descoberta do crime: “Incomoda-me mais o caráter bizarro do fato que a ousadia dos bandidos”. O professor Antonio Anastasia voltou a falar sobre o assunto ontem, quatro dias depois: “Determinei ao secretário de Defesa Social prioridade absoluta na solução desse crime”. Como chefe, cabe a ele falar sobre o imponderável, ou, se preferirem, inexplicável. É também responsável, mas não o único. Estamos sofrendo com um caldo produzido por décadas de descaso, cozinhado em fogo lento com irresponsabilidade, algumas pitadas de safadeza e pacotes de incompetência.

Ou, como explicar que os nove agentes de plantão se reuniram, almoçaram como os apóstolos – uns com marmita de casa, outros marmitex preparado por presos – e, depois, se deliciaram com uma salada produzida por um deles, até se fartarem, quando, então, parte começou a cambalear feito bêbado e o restante foi tomado de intenso sono? No dia seguinte, ao despertar, a descoberta de que todo o armamento tinha sido levado. Não é justo para com os profissionais acusa-los de antemão, mas, eles sabem, nós temos o direito de ficar espantados. É o imponderável, o fora de controle, da normalidade; o que não é possível, crível, aceitável.

Mas, a gente não pode ridicularizar os agentes penitenciários por falta de conhecimento de suas reais condições de trabalho. Quem viu o paiol através das imagens feitas em helicópteros não precisa de qualquer nota oficial do governo ou entrevista com autoridade para ter certeza de que a guarda de armas de grosso calibre não tem a mesma prioridade que a construção de sedes para tribunais ou até uma cidade administrativa. Quando se ouve um agente contar que ele e seus companheiros tiveram de fazer o “depósito”, do piso ao telhado, não dá para duvidar. Afinal, aquilo é pior que o paiol onde meu amigo Toninho Gamaliel guarda milho para as galinhas que só os ratos conseguem furtar.

Quando achamos que o pior já passou, vem a Secretaria de Defesa Social anunciar que vai transferir as armas (as que comprarem agora) para dentro da penitenciária... Será que é o melhor lugar? Com essa excelência de serviço público de que dispomos, é plausível colocar todo o armamento perto dos condenados? Mas, pensando bem, o município que detém 15 por cento de todos os nossos presos não tem fórum até hoje. Pior, lá, em Neves, a juíza da Vara de Execuções Criminais já despacha dentro do terreno da penitenciária.

Senhor governador, que sempre merecerá o meu respeito por ser pessoa educada e que não reclama de críticas: permita-me usar o adjetivo lembrado por vossa excelência para qualificar não apenas o furto das armas, mas, o paiol, a ceia santa, o sono dos agentes, as explicações oficiais, as providências prometidas... Tudo! Bizarro!

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