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Quando o país é tomado de um debate saudável – às vezes exagerado – sobre o segundo turno das eleições presidenciais, eis que somos despertos dos sonhos de dias melhores com mais uma canalhice no Congresso

24/10/2014 às 05:57

Quando o país é tomado de um debate saudável – às vezes exagerado – sobre o segundo turno das eleições presidenciais, eis que somos despertos dos sonhos de dias melhores com mais uma canalhice no Congresso. Um deputado – cujo nome não vem ao caso porque não é de Minas – inclui no texto de Medida Provisória e aprova o parcelamento de dívidas daqueles que roubaram dinheiro público. As palavras lá são outras, mas, no fundo, querem dizer a mesma coisa: quem desviou, furtou, levou o nosso pode devolver – se devolver – em suaves prestações. Flagrado, ele diz que foi o Gim Argelo (um desses senadores que chegam lá sem dizer a que veio e saem sem deixar saudades) que pediu... Que ele, o relator, não percebeu a gravidade... Aquela conversa fiada que conhecemos de cor.

Nem Dilma, nem Aécio nem ninguém vai dar um jeito nesse país se continuarmos abrigando em nosso vocabulário a palavra governabilidade, que significa acordo de quem comanda o Executivo com o grande e o baixo clero do Congresso Nacional, transformado em grande balcão de negócios. É nojento, podre e indizível o comportamento da maioria dos que lá estão e reelegemos, sem saber direito o que estávamos fazendo no último dia 5. Eles só conjugam o verbo “Murici”, que se traduz em “cada um por si e quero continuar aqui”.

Imagina você se ficar devendo o Imposto de Renda, que já te leva quase 30% do seu salário, se a Receita vai parcelar em 15 anos. Imagina o aposentado... se algum dia vão mudar o fator previdenciário que retira do cidadão o direito a receber pelo que pagou a vida inteira. E esses abutres do Congresso vão aprovando, na calada da noite, no calor da eleição, os maiores absurdos. Eles não têm opinião alguma sobre coisa nenhuma, são capazes das mais variadas adaptações, prontos a trair a própria sombra se isto convier à satisfação dos seus mais mesquinhos interesses imediatos.

É preciso, mais uma vez, trazer a esse minifúndio a advertência de Montesquieu, 400 anos atrás: “Se Legislativo e Executivo estiverem juntos, não há liberdade”. Portanto, se a gente quer uma Nação melhor, o remédio é exigir do (a) eleito (a) domingo um compromisso com reforma política para valer que, a meu ver, só virá com assembleia exclusiva. É preciso acabar com a promíscua distribuição de favores, com as chantagens e com a desfaçatez dos que têm coragem de propor indecências do tipo parcelar a devolução do que foi roubado, ou, de acordo com o que aprendi em casa, na escola e na vida, roubar de novo o que já roubaram dos cofres públicos.

O pior é que, lá na frente, um bando de sem noção exigem e um ou uma chefe da Nação ainda sanciona um negócio desses sob argumento de que não pode perder apoio político no Congresso. Vou te falar, viu!

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