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A casa caiu

Quando, em fevereiro, se preparava para assumir um dos programas de maior audiência do rádio mineiro – o Itatiaia Patrulha – o companheiro Renato Rios Neto..

Quando, em fevereiro, se preparava para assumir um dos programas de maior audiência do rádio mineiro – o Itatiaia Patrulha – o companheiro Renato Rios Neto, com a humildade dos grandes, me pediu dicas de como deveria se comportar, como não frustrar a expectativa da chefia e se firmar no horário, o que significa, sem dúvida alguma, resolver todo o futuro profissional. Disse a ele apenas duas coisas: que se limitasse a chamar as matérias, evitando comentários – especialmente os longos – para os quais estaria preparado mais adiante, e que, quando faltasse argumentos, repetisse uma frase que já usava nas reportagens: “A casa caiu”. Três meses depois, o bordão já está na boca do povo! Existem expressões que são tiro e queda porque resumem com poucas letras um mundo de informações.

Pergunto ao amigo que gosta de futebol se existe uma manchete mais definidora para esse escândalo internacional que envolve o futebol. E também queria saber se algum brasileiro que aprecia o esporte bretão se surpreendeu com a prisão daqueles velhos ladrões... Aquele Nicolas, presidente da Confederação Sul Americana, inspirava confiança? Esse Marin, ladrão de medalhas, vice de Maluf, reacionário até o pescoço, cara de safado, fala de safado, jeito de safado e cabelo de safado, enganava alguém? O problema é que um jornalista não pode acusar, nosso Ministério Público nunca o alcançou, nossa Polícia Federal nunca chegou até ele, Lula e Dilma continuam sem saber de nada, Aécio sempre gostou da CBF tal como é; enfim, sobraram alguns poucos, um chamado de chato como Romário outro tachado de louco como Maradona, raríssimos jornalistas críticos e decentes como Juca Kfouri...

Enfim, quem não leu, no Hoje em Dia, que um presidente de clube se enricou em Minas e chegou ao poder em Brasília? Quem considera normal o exílio de Ricardo Teixeira em Miami? O futebol é esquisito: quando querem terrenos de graça, isenção ou sonegação de impostos e mil outras benesses vão ao governo, nos seus três níveis. Se a presidente pede que haja rotatividade no comando das federações, ficam bravos, dizem que é intervenção indevida; quando chamam o torcedor para sócio, clamam por seu auxílio, mas, no dia seguinte, marcam jogo para as 10 da noite, colocam time reserva e nem ligam para o pobre que sofre por conta dessa paixão chamada futebol... Sem falar nos salários estratosféricos que pagam, muitas vezes a gente que não merece, sem consultar a quem quer que seja... A casa caiu e quem derrubou foram os americanos, que nem gostam tanto assim de futebol... O problema é que eles não toleram ladrões... Ainda que velhos e de gravatas.