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A arrogância derrotou a Copa

Considerando que todo brasileiro sente-se no direito de meter o bedelho quando o assunto é futebol, não posso abrir mão de dividir com o leitor algumas impressões sobre a proximidade da Copa do Mundo.

Considerando que todo brasileiro sente-se no direito de meter o bedelho quando o assunto é futebol, não posso abrir mão de dividir com o leitor algumas impressões sobre a proximidade da Copa do Mundo. O que mais me incomoda é o tamanho da irritação de todos nós, da falta de paciência para com os outros, da intolerância com os diferentes e a falta de fé no país. O incrível é que até a alta estima, marca nossa, está afetada. 

Então, começo a pesquisar as causas. Seriam os gastos com a Copa, como alardeia a maioria dos cartazes? Não. Afinal, o sindicato dos procuradores da Fazenda Nacional diz que em apenas seis meses os brasileiros sonegam 200 bilhões de reais, o equivalente a 25 vezes o gasto na construção das arenas para o mundial. Não pode ser o fato de que não gostamos do esporte porque ele é paixão nacional. O técnico agrada à maioria, os selecionados também; o presidente da CBF mais safado já se exilou em Miami... Então, por que a gente não está de verde e amarelo, nas ruas, festejando a espera?

Suspeito que a arrogância mais uma vez seja a vilã. Vejamos: quando a Fifa escolheu o Brasil, o governo federal não dividiu a conquista; e para convencer começou a falar no tal legado. Aqui em Belo Horizonte, em setembro de 2009 o presidente da Bhtrans anunciava o BRT em operação já em 2010... O mesmo que até hoje é só raiva! O Aeroporto Internacional vai receber os visitantes atrás dos tapumes e sob a névoa da poeira. 

As pessoas pacíficas que foram às ruas no ano passado estão receosas da violência e, mais que elas, os governos, as polícias, os empresários, todos nós, estamos com medo. Sem falar no medo dos que preveem prejuízos, como taxistas, lojistas, donos de hotéis... Incrível, somos apaixonados pelo futebol, as maiores estrelas do esporte estarão entre nós e isso não nos emociona. Talvez porque poucos de nós – só os endinheirados ou poderosos – poderão de fato ver os jogos. Os outros? Bom, os outros, que antes viam a Copa pela TV, nos bares, nas ruas, com os amigos, agora vão ver pela TV, em casa, escondidos... Com medo! 

Impressionante. A gente vinha se sentindo primeiro mundo, curtindo o respeito no exterior, com índices de desemprego quatro vezes inferior ao de países dos sonhos como a Espanha e, lá vamos nós para um período de incertezas, insegurança, medo do que vai acontecer, não apenas depois da Copa, mas, principalmente, depois das eleições. Só pode ser a arrogância da CBF, histórica, a arrogância característica da Fifa, representada por secretário-geral que vive fazendo pouco caso da gente.

 É a arrogância da Infraero, um reduto de militares aposentados, que sempre deixou a desejar e a arrogância da Bhtrans, que não faz o dever de casa como devia para nos dar o tal BRT. Em cada dez mineiros que conheço, nove vão torcer contra o Brasil. Até isso conseguiram. Como diria o inesquecível prefeito Odorico Paraguassu  é a arrogância e “a ignorança que estravanca o pogressso”!