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31 de março

Em 31 de março de 1964 eu tinha pouco mais de sete anos e, embora morasse há cerca de 30 quilômetros de Belo Horizonte......

31/03/2014 às 10:16

Em 31 de março de 1964 eu tinha pouco mais de sete anos e, embora morasse há cerca de 30 quilômetros de Belo Horizonte, minha Inácia de Carvalho – então distrito de Vespasiano – era tão pequena, tão roceira que estudava numa escola rural. E, claro, não fazia a menor ideia do que acontecia na vida política do país. Aos nove, minha família veio para Belo Horizonte, aos 19 entrei na faculdade e continuava sem saber de nada, embora tenha sido office-boy e ascensorista de hotel e percorrido vários cargos em banco. Só depois de iniciar-me no jornalismo – em 1977, aos 21anos e ainda na universidade – é que comecei a perceber que havia algo errado, que muita gente estava sofrendo e que algumas palavras eram proibidas no rádio, como greve, Partido Comunista e Leonel Brizola.

Nos primeiros anos de repórter entrevistei ícones do poder da época, como Andreazza, Eliseu Resende, e cobri visitas de presidentes da República em Minas quando a gente não chegava a menos de 100 metros do general. Veio a redemocratização e lá estava eu, cobrindo greves, apanhando, tomando pedrada, pulsando, gostando do que via, tolerando alguns patrulheiros e conhecendo a verdadeira face de gente que se passava por santo, mas, na verdade, quando no poder, revelou-se muito pior dos que criticava a vida inteira. O melhor exemplo de decepção é o Partido dos Trabalhadores, que embalou sonhos durante décadas, mas, na prática, na hora de mostrar a cara, revelou-se igual a PMDB, DEM e tantos outros. As debandadas de Apolo Heringer, Sandra Starling, Heloisa Helena, Marina Silva e tantos outros são minha certidão de isenção partidária.

 Infelizmente, embora esteja convencido de que nem todos os políticos são iguais e seja verdadeiramente fã de gente das mais diversas origens, como Patrus Ananias, Francelino Pereira, Darcy Ribeiro e Totó Teixeira, quando penso nas agremiações que os reúnem sinto a mesma sensação – de que querem é o poder. E fazem qualquer coisa por ele. Qualquer coisa mesmo.

Mas, na verdade, dei essa volta toda para dizer por que não endosso o coro dos que pedem a volta dos anos 60. E não é porque foi período da ditadura... Não entro no mérito nem se foi uma Revolução ou um Golpe Militar, como sustentam os dois lados. Não tenho saudades daqueles tempos porque eu estava vivo e não sabia de nada. Então, mesmo sofrendo com a violência, a corrupção, a desfaçatez e tantas outras tristezas dos dias de hoje, ainda considero melhor que o passado. É essencial o direito de saber. Então, vamos cobrar postura decente hoje, planejamento do amanhã, sem lamentar uma época em que mães eram separadas dos seus filhos, amigos não podiam se ver e gente verdadeiramente apaixonada pelo país era aniquilada.  As histórias impressionantes de gente que conheci nos últimos 50 anos me fazem olhar para a frente.

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