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Um clube sem convicção 

'Não existe a menor convicção por parte do presidente, que desde que assumiu a gestão, trocou sua direção de futebol por quatro vezes'

06/07/2021 às 10:25
Um clube sem convicção 

O Cruzeiro é o 13º colocado da Série B, com apenas nove pontos, em nove jogos. A média de um ponto somado a cada rodada é de equipe que vai brigar contra o rebaixamento. Aliás, fugir do Z4 é o campeonato que o time celeste tem feito desde a sua estreia na segunda divisão. Em 47 rodadas, a Raposa nunca passou da 10ª colocação e jamais frequentou o G4. Por mais que nós insistamos em mirar o acesso quando falamos de Cruzeiro, a realidade é que a cada semana o clube flerta é com a permanência na B ou com um novo rebaixamento.

As causas para que o clube viva esse calvário são muitas e estão dentro e, principalmente, fora das quatro linhas. Uma palavrinha chave tem faltado à diretoria e aos treinadores que passaram (e o atual) pelo Cruzeiro: convicção.

Não existe a menor convicção por parte do presidente, que desde que assumiu a gestão, trocou sua direção de futebol por quatro vezes e está sob o comando técnico do quinto treinador, se contarmos o curto trabalho de Célio Lúcio como interino. São profissionais, entre executivos de futebol e técnicos, com ideias e estilos de trabalho diferentes. Nunca houve um perfil específico.

A cada troca de diretor, chega um novo treinador e com cada novo treinador chegam novas contratações, acontecem dispensas, atletas são preteridos e outros, antes escanteados, acabam sendo reaproveitados. Uma verdadeira salada, que incha o elenco, a folha salarial (que vive em atraso) e pouco acrescenta tecnicamente. O Cruzeiro contrata muito, mas se reforça pouco.

Essa mesma falta de convicção que acontece fora de campo, aparece também dentro dele. O atual treinador, Mozart, em menos de 30 dias no comando do time, já utilizou 27 jogadores, mudou o sistema de jogo em diversos momentos e contratou mais sete jogadores. Num jogo são três zagueiros, no outro dois. Atacante vira lateral, volante vira zagueiro, meia vira ala. Nem o próprio jogador tem convicção da função que vai exercer na partida seguinte.

A impressão que temos, olhando tudo isso de fora, é que o Cruzeiro “funciona” como um transatlântico luxuoso, tradicional, porém mal cuidado, sem manutenção, desorganizado, à deriva num oceano de problemas financeiros, políticos e técnicos. Um clube sem rumo.

Se os bons exemplos e os ajustes necessários não partirem de cima para baixo, ou seja, da direção para o campo, nada vai mudar ou melhorar. Se o executivo de futebol não tiver respaldo do presidente e não der respaldo ao treinador, em breve novas mudanças de comando acontecerão. Se o presidente não descentralizar decisões, se não ouvir mais, o clube seguirá pobre de ideias e o seu comandante cada vez mais isolado. O fato é que no momento não há convicção nem do que pensar sobre o Cruzeiro.

*Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

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