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Raio X do trimestre de Coelho, Galo e Raposa

05/04/2021 às 11:27
Raio X do trimestre de Coelho, Galo e Raposa

Passamos da metade da primeira fase do estadual e aos poucos vamos detectando os problemas e virtudes dos times da capital. Em termos de conquista, o Campeonato Mineiro há anos já não empolga tanto, mas o problema é que o time que perde acaba sendo cobrado e, às vezes, de maneira errada, exagerada, e mais pelo resultado do que pelo desempenho. Ficar atento aos detalhes (bons e ruins) é fundamental nos estaduais.

Lisca tem um elenco suficientemente qualificado para brigar pelo título mineiro. Além do padrão já consolidado de sua equipe, o América possui peças com qualidade para ser um dos semifinalistas e, por se tratar de mata-mata, também sonhar com a conquista. O problema é que quando pensamos em Série A do Brasileirão a coisa se transforma e o Coelho passa a ter problemas, como poucas opções individuais qualificadas. No Brasileiro, conjunto e individualidade fazem uma dobradinha necessária, mas o Coelhão possui apenas a primeira opção. 

O América sofre com o mercado, perdendo protagonistas, como o zagueiro Messias, e tendo dificuldade para repor à altura. Por enquanto, enxergo um América de primeira divisão inferior ao da Segundona, o que nos faz temer pelo futuro da equipe na competição nacional. É necessário e urgente se reforçar com mais qualidade!

Galo

O Atlético segue com seu amplo favoritismo em Minas, tendo o melhor e mais caro elenco. Cuca acabou de chegar, vai precisar de tempo para implementar sua ideia de jogo e se desfazer de algumas características deixadas por Sampaoli. Mas a qualidade é tanta que o atual treinador necessitará de menos tempo do que o normal.

Usar o estadual para dar ritmo aos atletas, fixar seu modelo de jogo e se preparar para a estreia na Libertadores é mais importante do que ganhar o título. Sei que muitos discordam, eu respeito, mas é assim que penso. Vencer o Mineiro é sempre bom, mas chegar forte e bem preparado nas principais competições da temporada é primordial, principalmente quando se tem reais condições de conquistá-las, e o Galo tem em 2021. A hora de errar é agora, no estadual, mas isso só funciona se torcida, diretoria, comissão técnica e jogadores pensarem da mesma forma. 

Cuca vai, aos poucos, dando a sua cara ao time, mas dá mostras de que irá aproveitar alguns legados deixados pelo seu antecessor. Guga e Arana são exemplos perfeitos. Ambos evoluíram muito com Sampaoli. Guga em posicionamento defensivo e saída de bola, e Arana hoje pode jogar como um meia, e dos bons! Allan é outro jogador que aproveitou muito a passagem de Sampaoli pelo Galo e que será ainda mais útil em 2021.

Raposa

No Cruzeiro, a parada é outra. Felipe Conceição vai precisar de mais tempo. É uma situação bem diferente da citada acima, vivida por Cuca. O treinador celeste tem pouquíssimas peças com qualidade, por isso é necessário muito mais paciência por parte da imprensa e da torcida. 

Diferente de América e Atlético, a Raposa não está entre os favoritos ao título estadual, inclusive terá que lutar muito para chegar à semifinal. Mas como escrevi no início deste texto, para o Cruzeiro pouco importa a conquista. O Campeonato Mineiro é mais importante para o clube se bem utilizado para dar liga e padrão ao time. A preocupação precisa ser a Série B do Brasileirão. 

Ainda que não seja fácil e doa muito no torcedor, o momento para errar, apanhar, perder e, principalmente, corrigir é agora. Conceição segue testando, tentando encontrar a melhor maneira de jogar e a formação ideal. Terminar o estadual fora dos quatro primeiros não quer dizer que está tudo errado, assim como ser finalista está longe de confirmar que o caminho está sendo bem percorrido. O fundamental é fazer o time evoluir, o que ainda não aconteceu.

Assim como em 2020, o sistema defensivo segue sendo o setor que menos preocupa no Cruzeiro. O início de trabalho vai dando mostras de que o treinador precisa mesmo é focar do meio para frente. Melhorar a saída de bola, dar mais rapidez na recomposição defensiva e trabalhar a tomada de decisão dos atacantes são problemas que Conceição precisa corrigir a tempo da estreia no Brasileirão.

A grande preocupação é que todos esses defeitos são recorrentes, chamam a atenção desde a época de Adilson Batista e os outros treinadores que passaram pelo clube não deram conta de corrigi-los. Um bom recado para entender que o problema do Cruzeiro talvez não seja comando técnico, mas pobreza de elenco. Felipe Conceição terá muito trabalho!

Prestem atenção nos estaduais!

Eles significam pouco em termos de conquista, mas deixam sinais importantes, para o bem ou para o mal, e que podem ser decisivos em competições mais importantes na temporada. A dificuldade para criar, os placares apertados e a pouca qualidade individual são avisos ao América, que, de positivo, tem ótimo conjunto e padrão de jogo. No Atlético seguem os problemas defensivos, como bola aérea e transição lenta (mais relacionados a posicionamento), mas sobram qualidades individuais e ótimas opções de banco. Já para o Cruzeiro há quase um repeteco de problemas vistos no ano passado: dependência de bola parada para marcar gols, transição defensiva muito lenta e um meio de campo que marca pouco e cria menos ainda.

Fotos: Mourão Panda/América, Bruno Haddad/Cruzeiro e Pedro Souza/Atlético

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