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Hulk ainda tem lugar na seleção?

19/07/2021 às 12:15
Hulk ainda tem lugar na seleção?

Se você é a favor do Hulk na seleção, você não está errado. Se você é contra, também não há nenhum problema ou erro. A discussão é ótima e os argumentos melhores ainda, independentemente da opinião. Hoje sou contra e ao longo deste artigo explico meus motivos.

O assunto “Hulk na seleção” tomou conta dos debates esportivos pelo Brasil, das redes sociais e das mesas dos já reabertos botecos de Belo Horizonte. Hulk merece e/ou deveria ser convocado por Tite para a seleção brasileira? A pergunta também foi pauta das duas últimas Mesas Redondas na Rádio Itatiaia e, obviamente, dividiu opiniões.

Diferente dos companheiros Junior Brasil e Léo Figueiredo, que são favoráveis a uma nova chance para o atacante atleticano entre os convocados de Tite, eu penso que o tempo de Hulk com a amarelinha passou, ao menos por enquanto, mesmo ele jogando em alto nível.

É inegável que Hulk está entre os melhores jogadores da temporada no futebol brasileiro. O paraibano é dono de excelentes números até aqui. Em 32 jogos já soma 12 gols e 9 assistências, com participação direta na maioria dos gols anotados pelo Atlético. Para muitos é o melhor jogador brasileiro em atividade por aqui, o que não é nenhum exagero.

Mas com todos esses números e com ótimos desempenhos, então por que tem pessoas (como este jornalista) que são contra o aproveitamento, neste momento, de um atleta deste nível na seleção brasileira? 

Pra mim, seleção brasileira é ciclo, e assim como existe um ciclo olímpico para outras modalidades, no futebol existe um ciclo de Copa do Mundo. Faltando 16 meses para a próxima Copa, seria um risco “apostar” em um jogador que chegaria ao Catar com 36 anos e meio. Não é questão de preconceito, mas de ponto de vista e escolha. Hulk tem sobrado no futebol brasileiro, assim como outros jogadores da posição, inclusive mais jovens, como Gabriel Barbosa e Pedro, por exemplo. Mas na próxima Copa, um ano e meio mais velho, Hulk vai estar jogando no mesmo nível? Vai conseguir se destacar entre os principais atletas do mundo como se destaca no Brasil? Difícil prever.

Um bom exemplo é “Gabigol”, outro que sobra nos nossos campeonatos e esteve no grupo vice-campeão da Copa América, quando não rendeu o esperado, ficando quase sempre entre as opções de banco e acrescentando pouco quando utilizado. No primeiro jogo pelo Flamengo, após retornar da seleção, Gabriel meteu logo um triplete (3 gols) contra o Bahia. Sim, “Gabi” também é acima da média cá pelas nossas bandas, mas tem 24 anos, uma década a menos que Hulk e pode ser aproveitado em, pelo menos, mais duas copas do mundo. Pedro, mais jovem ainda e não menos talentoso, é outro que corre por fora. Estar entre os melhores no Brasil não garante seguir entre os melhores na seleção. Lá o sarrafo é mais alto.

A discussão aqui não é sobre quem é o melhor, quem está rendendo mais, mas quem pode ser melhor aproveitado, quem pode entregar mais e por mais tempo na seleção. Na minha modesta opinião, o tempo de Hulk com a camisa do Brasil passou, ficou lá em 2014 e poderia ter se prolongado até 2018, mas não aconteceu. É hora de outros atacantes surgirem, terem suas oportunidades, e nomes e opções nós temos. 

Hulk voltou ao futebol brasileiro para realizar o sonho de ser ídolo de uma grande torcida e vai construindo sua história no Atlético a passos largos e com muita competência e dedicação. Aos quase 35 anos, jogando em alto nível, o paraibano ainda pode conquistar sua Copa… a Libertadores ou a do Brasil, e vestindo preto e branco. 

A Copa do Catar está cada vez mais próxima da Seleção Brasileira, mas segue muito distante pro já testado Hulk. Se daqui um ano, em julho de 2022, o camisa 7 do Galo seguir jogando em alto nível, entre os melhores do Brasil e decidindo jogos a cada rodada, aí sim, pelo momento, pertinho da Copa, eu até poderia me render aos “Team Hulk na seleção”. Mas hoje, há um ano e meio da maior competição do planeta, prefiro seguir curtindo a ótima fase de Hulk, aplaudindo seus gols, suas arrancadas e assistências pelo Galo, mas continuo entre aqueles que entendem que a Seleção Brasileira passou, ficou no vitorioso currículo do atacante.

Foto: Pedro Souza/Atlético

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