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Cuca sã, campo são

Com a cada vez mais próxima conquista do Brasileiro, Galo 'terá sido o melhor time do país por mais tempo'

17/11/2021 às 10:52
Cuca sã, campo são

A temporada 2021 vai chegando ao fim, após 11 meses, com dezenas de jogos, viagens, treinos e num ano atípico, sem as habituais férias, sem o descanso do ano anterior, que também foi completamente estranho. A pandemia potencializou a bagunça que é o calendário do futebol brasileiro e encavalou ainda mais os jogos, desgastando os atletas além do normal, física e mentalmente.

Com a chegada dos meses de novembro e dezembro, se aproximam também as finais e as partidas que antecedem as decisões. Todos os times que irão brigar por copas e pelo título do Brasileirão têm seus méritos. Em algum momento jogaram bem, foram organizados, mostraram ideias e consistência. Ninguém chega perto de uma conquista apenas por sorte. E o time que ganhar o Brasileiro, além de tudo isso, também terá mostrado mais regularidade; terá sido o melhor time do país, por mais tempo.

É claro que jogando bem, uma equipe sempre estará mais próxima das vitórias, mas é óbvio que o jogar bem de ontem é diferente do jogar bem de hoje. No Brasil é impossível render em altíssimo nível durante toda a temporada. Por isso é importante que as cobranças por grandes atuações sejam mais inteligentes. Precisamos compreender e entender o momento. Nenhum elenco vai render no 70° jogo da temporada aquilo que rendeu no 40°. O futebol da vida real é um, o do vídeo game é outro.

Aspecto emocional

Sendo assim, um fator que pode ser fundamental para definir os campeões da Libertadores, Sulamericana, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro está longe das pranchetas, quadros táticos e até mesmo dos nossos olhos: o fator psicológico/emocional… o fator humano. 

Manter a concentração, o foco e controlar a ansiedade são exercícios primordiais e podem ser decisivos. Cuidar da parte mental é preponderante para transformar o trabalho tático e tudo o que foi feito durante os últimos meses em conquista(s). Enquanto analistas de futebol, chegou o momento de tratarmos estas questões (emocionais) com o mesmo peso que tratamos a parte tática e organizacional de um time durante um jogo ou um campeonato. 

Atlético 

Trazendo a pauta para Belo Horizonte, mais precisamente para a Cidade do Galo, o Atlético, além de manter a organização tática em campo, precisa lidar com o clima de “já ganhou”, cantado em verso e prosa por boa parte da imprensa e um peso de 50 anos sem levantar o caneco que está perto de conquistar. O trabalho mental que vem sendo feito com o elenco até aqui me parece impecável, assim como o tático e técnico. Quem assiste o Galo em campo vê um time consistente, sem ansiedade, quase sempre muito concentrado e extremamente paciente, o que pode ser decisivo neste momento. 

A vitória contra o Corinthians foi mais espetacular do que os triunfos contra o América e Athletico/PR, mas todas foram muito bem construídas e jogadas. Aliás, o Coelho está entre os três melhores aproveitamento do returno e ganhar do time de Marquinhos Santos tem sido uma tarefa difícil pra caramba, que o digam Flamengo e Palmeiras, que não venceram. Mas Galo ganhou! E aquele jogo contra o Cuiabá, lembram? Virar aquela partida após sofrer um gol bizarro com poucos minutos, também foi fruto de mais um jogo muito bom, diante de um adversário que, até então, tinha apenas uma derrota como visitante. Impossível não associar os três pontos contra o Dourado ao aspecto mental. Contra o Athletico/PR era um jogo atípico, traiçoeiro, diante de um adversário reserva, pensando em outra competição e sem nenhuma responsabilidade. O Atlético foi lá e venceu mais uma, sem dar espetáculo tático ou técnico, mas deu um show mental, emocional, de concentração.

Cada vitória tem sua particularidade, por isso precisamos analisar além do óbvio. Jogar bem nos últimos meses do ano é muito mais do que “apenas” dar espetáculo ou ganhar por dois ou mais gols de diferença. A essa altura do campeonato, jogar bem é controlar o oponente, não correr riscos, administrar vantagem, alternar intensidade, aproveitar as boas chances e principalmente controlar o aspecto emocional e a ansiedade, e o Galo tem feito exatamente isso, jogado regularmente bem, com os pés e com a cabeça.

Nesta reta final seria injusto e incorreto cobrar o mesmo desempenho técnico, tático, físico e mental que os times demonstravam há dois, três… seis meses, e isso vale para Galo, Furacão, Bragantino, Palmeiras e Flamengo. O futebol não pode ser analisado apenas pela régua técnica/tática, mas também pelo fator emocional e é a cabeça boa que, na visão deste comentarista, vai definir os campeões dos principais títulos do país e do continente em 2021. 

“Mens sana in corpore sano”, ou simplesmente mente sã num corpo são, que traduzindo para o futebol em tempos de pandemia e calendário estrangulado, “cuca sã, campo são”. Que venham as decisões!

Edu Panzi é jornalista e comentarista esportivo na Rádio Itatiaia
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Foto: Pedro Souza/Atlético

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