Ouça a rádio

Compartilhe

Clássico bom em campo, normal fora dele

'A beira do gramado sempre foi assim, com muita gritaria, reclamações, orientações, palavrões'

 

Mourão Panda / América

O clássico Cruzeiro 1 x 2 América, válido pelas semifinais do Campeonato Mineiro, foi muito disputado, equilibrado e dentro das condições técnicas de cada uma das equipes, também foi bem jogado. O América ampliou a vantagem, mas houve tanto equilíbrio no confronto de ida que ainda não dá pra cravar o Coelho na final. Pena mesmo foi o bate-boca entre os bancos de reservas, algo corriqueiro no futebol, ter repercutido tanto, ganhado quase a mesma proporção do jogo. Culpa deles e nossa!

No campo

O Cruzeiro fez um primeiro tempo muito organizado e concentrado. Marcou a saída de bola americana, foi intenso na hora de pressionar e mereceu vencer nos primeiros 45 minutos. A queda de rendimento aconteceu justamente quando Felipe Conceição precisou usar o elenco. A Raposa tem um time suficiente, mas um elenco ainda pobre. Conclusão tão óbvia quanto a de que o Cruzeiro tem uma equipe em nítida evolução técnica e tática. Independentemente do resultado no estadual, o caminho tem sido bem trilhado.

O América também teve boas chances na primeira etapa, mas foi mais tímido e parecia sentado no regulamento. Quando conseguiu criar chances claras, parou em Fábio. A desvantagem momentânea acabou fazendo bem ao time de Lisca e ao próprio treinador, que saíram da zona de conforto e cresceram no jogo. A partida mostrou que, ao contrário do adversário, o Coelho tem um elenco mais qualificado, com o ótimo Ademir colocando a cabeça no lugar e fazendo o que se espera dele. O América mereceu os gols na reta final e consequentemente a vitória. Lisca sabe que a exigência a partir de agora só vai aumentar e com ela é necessário que o rendimento da equipe também aumente. 

Fora de campo

Chato mesmo foi o que aconteceu na beira do campo, mas as provocações que vimos e ouvimos durante e após o clássico sempre aconteceram no futebol, a diferença é que agora dá pra escutar tudo. 

Em tempos de estádios vazios, qualquer xingamento é audível e quando sai um gol não tem torcida para ser mostrada e o foco das câmeras vai todo para o único lugar em festa ou agitado no estádio, o banco de reservas. É simples de entender. 

A beira do gramado sempre foi assim, com muita gritaria, reclamações, orientações, palavrões, discussões e gestos. A diferença é que sem as 10, 20, 50 mil vozes as quais nos acostumamos a ouvir nas arquibancadas, um único grito, xingamento, palavrão acaba tomando uma proporção exagerada. É o chatíssimo novo normal das vozes em um jogo de futebol. Um estádio com torcida faz muita falta!

Domingo que vem tem mais semifinal e ali na frente as finais. Certamente teremos jogos bem jogados, gols, tensão, emoção, gritos, xingamentos, provocações, festa, decepção e infelizmente os estádios ainda vazios. Vamos ver e ouvir tudo, mas o que precisa ser discutido, enaltecido e levado em conta é o jogo de futebol, não o de provocações. Prometo usar este espaço pra falar de futebol, bola rolando e não da sempre movimentada e politicamente incorreta beira de campo. Precisamos dar importância ao que realmente importa!